Trieste, 29 de janeiro de 2026 — Um projeto de pesquisa da Universidade de Trieste, em parceria com a Azienda pubblica di servizi alla persona Itis e o curso de Fisioterapia, volta o olhar para uma paisagem que conhecemos bem: o corpo que envelhece e a mente que pede cuidado. Em linguagem acessível e com sensibilidade para o cotidiano, o estudo aponta que protocolos inovadores que integram exercício físico, estimulação cognitiva e realidade virtual podem retardar o declínio motor e cognitivo e favorecer um envelhecimento ativo e autônomo.
A pesquisa, cofinanciada pelas Fondazioni Morpurgo e Casali Ets, envolveu 45 participantes com mais de 65 anos residentes em uma instituição de cuidados. Eles foram alocados de forma aleatória em dois grupos de intervenção: um recebeu um protocolo conhecido como dual task — que combina atividades motoras com exercícios cognitivos realizados simultaneamente — e o outro participou de sessões que integravam exercícios físicos com tecnologias de realidade virtual e realidade aumentada. Em ambos os casos, os idosos completaram 24 sessões de reabilitação supervisionada.
Os resultados, segundo o comunicado da universidade, mostram ganhos relevantes tanto na esfera motora quanto na cognitiva. Mais do que números frios, a pesquisa sugere caminhos para que a pessoa idosa mantenha sua autonomia funcional e sua participação ativa na vida diária — como se cada sessão fosse uma pequena colheita de hábitos que nutrem a vitalidade.
Do ponto de vista prático, a combinação de estímulos sensoriais e cognitivos com o movimento físico cria um ambiente de treino que replica, em microescala, os desafios do dia a dia. A realidade virtual oferece cenários controlados onde o corpo e a mente aprendem a sincronizar-se novamente; o dual task treina a capacidade de dividir a atenção, tão necessária para tarefas cotidianas como caminhar enquanto planeja o próximo passo.
Como observador atento do bem-estar e do clima humano, gosto de pensar que essas intervenções não são apenas tecnologia e técnica: são maneiras de devolver ritmo e respiração à vida cotidiana. Quando o corpo recolhe força e a mente encontra foco, a cidade interna do idoso volta a respirar com mais calma — uma primavera que se anuncia após o inverno da fragilidade.
Os autores do estudo destacam a importância de integrar abordagens multidimensionais na prática da fisioterapia, valorizando tanto o movimento quanto os processos cognitivos. Projetos como este abrem a porta para protocolos personalizados, que respeitam o tempo e os ritmos de cada pessoa e traduzem pesquisas em cuidados reais, sensíveis e eficazes.
Em resumo: a junção entre fisioterapia, estímulo cognitivo e realidade virtual mostra-se uma possibilidade promissora para enfrentar o declínio associado ao envelhecimento. É um convite para pensar o cuidado como paisagem — e para plantar, com paciência, as raízes do bem-estar.
Fonte: Universidade de Trieste; Fondazioni Morpurgo e Casali Ets. Reportagem por Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia.






















