Por Alessandro Vittorio Romano — Em Bolonha, a realidade aumentada entrou na rotina da sala de operações de um jeito quase poético: pela primeira vez, um cirurgião de cirurgia maxilofacial atuou com bisturi na mão enquanto usava um visor de realidade aumentada. No IRCCS Policlinico Sant’Orsola começa agora uma fase de sperimentazione clinica destinada a integrar as imagens produzidas pelos visores ao campo operatorio durante os procedimentos.
É um passo que junta técnica e intuição, como a sobreposição de uma paisagem imaginada sobre a paisagem real: “É o coroamento de um percurso iniciado há muito tempo”, comenta Achille Tarsitano, diretor da Unidade Operativa di chirurgia maxillo-facciale do IRCCS. Ele recorda que, até aqui, a equipa já vinha aplicando técnicas de vanguarda no estudo dos casos e na preparação das intervenções, com planejamento virtual e a construção de guias em 3D. O próximo passo, acrescenta, é tornar o dispositivo de realidade aumentada parte integrante do dia a dia em sala de operação, para aproveitar continuamente as potencialidades das tecnologias digitais juntamente com a experiência manual do gesto cirúrgico.
Estas ferramentas — planejamento virtual, impressão 3D, realidade aumentada — foram tornadas possíveis no Sant’Orsola pela presença do eDimes Lab, dirigido pela professora Emanuela Marcelli, do universo académico. É nesse laboratório que se fazem combinações entre dados anatômicos, modelos impressos e imagens virtuais que os visores conseguem sobrepor ao campo real, oferecendo ao cirurgião uma espécie de mapa interno alinhado com a superfície do paciente.
Do ponto de vista prático, trata-se de integrar informação — medidas, trajetórias, referências anatômicas — sem que o olhar do operador precise sair do paciente. A experiência cotidiana em sala pode assim tornar-se mais fluida, como a respiração cuidadosa de uma cidade que aprende a sincronizar seus ritmos. Ainda que a fase atual seja experimental, a intenção é avaliar como essas tecnologias se comportam em ambiente real de operação e como podem incrementar precisão, consistência e segurança nos procedimentos.
Como observador atento das interações entre ambiente e bem-estar, vejo nessa transição um paralelo com as estações: a tecnologia prepara o terreno — sementes de inovação — e o gesto humano, enraizado na técnica, faz a colheita. Integrar visores de realidade aumentada na cirurgia maxilofacial é, em última análise, cultivar novas formas de ver, tocar e cuidar do corpo humano.
O projeto do Sant’Orsola não promete milagres imediatos, mas abre uma via onde o digital e o manual conversam na mesma língua. Nos próximos meses, os olhos atentos da equipa médica e do eDimes Lab vão acompanhar os resultados da sperimentazione clinica — um pequeno nascer no qual se reconhece o futuro do operar com mais informação e sensibilidade.






















