Por Alessandro Vittorio Romano — Em um cenário onde a cidade respira entre estações e hábitos, a prevenção surge como uma colheita silenciosa que protege a saúde coletiva e alivia o fardo econômico. Foi com essa sensibilidade que Davide Croce, diretor do Crems — Centro de pesquisa em economia e management em saúde e no social — falou sobre a importância da prevenção da infecção por HIV durante o convegno “Hivlab – Lombardia“, realizado em Milão e dedicado à prevenção e à gestão do HIV.
Segundo Croce, a prevenção do HIV sempre foi um tema essencial, embora muitas vezes tenha permanecido em segundo plano. “Nós a levamos adiante ao longo dos anos e hoje ela dispõe de armas eficazes vinculadas aos novos medicamentos”, afirmou. A afirmação ecoa como a lembrança de que investir em proteção antecipada é plantar para não colher emergências futuras.
Os números apresentados reforçam essa imagem: cerca de 4.300 pessoas na região da Lombardia, ao longo de 2024-25, tiveram acesso a esse tipo de proteção. É um dado que não apenas fala de vidas preservadas, mas também de um impacto direto nas contas públicas. “É importante mantê-la porque nos permite abaixar a despesa do SSN“, completou Croce, realçando a conexão entre prevenção e sustentabilidade do sistema de saúde.
Na prática, o argumento é claro como a luz da manhã sobre uma colina: quando protegemos antecipadamente, evitamos que a doença se instale em larga escala, reduzindo internações, tratamentos complexos e a sobrecarga dos serviços. A metáfora é simples — cuidar do solo para que a colheita seja farta — e se aplica igualmente às políticas de saúde.
O encontro “Hivlab – Lombardia” reuniu profissionais e gestores para refletir sobre como integrar medidas preventivas e estratégias de gestão, preservando tanto a qualidade de vida das pessoas quanto a viabilidade financeira do sistema sanitário público. As palavras de Croce traduzem um convite à continuidade dessas práticas: manter e ampliar o acesso às ferramentas de proteção é manter a cidade e o território em equilíbrio.
Como observador que aprecia a relação entre ambiente, bem-estar e hábitos cotidianos, vejo nessa abordagem uma respiração coletiva: políticas de prevenção que se multiplicam como raízes, fortalecendo a árvore da saúde pública e evitando que tempestsades futuras sacudam seus galhos. Em suma, a defesa antecipada contra o HIV não é só um ato de cuidado individual, é também uma escolha estratégica pela sustentabilidade do SSN e pelo bem-estar comum.
Dados e decisões caminham juntos, e é nessa trilha que a Lombardia tem mostrado resultados — lembrando a todos que preservar é, muitas vezes, a forma mais inteligente e humana de poupar.



















