Por Alessandro Vittorio Romano — 04 de fevereiro de 2026
Em ocasião do Dia Mundial Contra o Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, o professor Ermanno Greco, presidente da Sociedade Italiana da Reprodução (S.I.d.R.), reafirmou a importância central da prevenção e do diagnóstico precoce na luta contra o câncer — e frisou como esses instrumentos são decisivos também para a vida reprodutiva dos pacientes.
“A prevenção oncologica é cada vez mais determinante e atravessa igualmente a medicina da reprodução. O objetivo dos rastreios e diagnósticos precoces é dar um futuro saudável a estas pessoas e proteger a possibilidade de uma vida reprodutiva serena”, observou Greco.
O presidente da S.I.d.R. chamou atenção para uma realidade que muitas vezes permanece nas sombras: os cânceres ginecológicos ainda são pouco discutidos e mulheres jovens tendem a negligenciar os caminhos de prevenção. Esse abandono, segundo Greco, tem consequências que ultrapassam a saúde imediata, atingindo também a chance de preservar a fertilidade.
Greco defende um alinhamento entre ciência, serviços de saúde, instituições e cidadania para construir percursos de cuidado coordenados. Entre as medidas apontadas como prioritárias está o acompanhamento das pacientes com intervenções específicas de preservação da fertilidade antes do início dos tratamentos oncológicos. Essa abordagem passa por protocolos estruturados e pela colaboração multidisciplinar entre ginecologistas, oncologistas e especialistas em reprodução assistida.
“Hoje a crioconservação de tecido ovariano ou de óvulos permite que muitas jovens que vencem a doença não sejam privadas da qualidade de vida e do projeto reprodutivo futuro”, explicou Greco. A imagem que surge é a de uma colheita preservada, interrompida pelo inverno da doença, mas guardada para um recomeço.
Além disso, Greco destacou evidências científicas recentes que mostram que a estimulação hormonal usada em protocolos de fertilização in vitro ou em procedimentos de preservação da fertilidade não aumenta o risco de aparecimento de patologias oncológicas ginecológicas. Para mulheres com histórico familiar relevante, existem ainda testes genéticos que permitem mapear riscos e traçar caminhos personalizados que reduzam perigos ao mínimo.
Entre as técnicas citadas, a diagnóstico genético pré-implantacional surge como ferramenta capaz de evitar a transferência de embriões portadores de mutações associadas a alguns tipos de câncer, como a síndrome de Lynch ou alterações nos genes BRCA1/2.
Para Greco, a prevenção não é apenas reduzir números: é dotar o paciente de consciência e conhecimento, otimizar trajetórias terapêuticas e tornar a luta contra a doença mais eficaz. Ele também apontou uma urgência social: é preciso combater as desigualdades territoriais no acesso aos serviços de preservação da fertilidade, que hoje ameaçam o direito a oportunidades iguais de tratamento em toda a nação.
Ao final, a mensagem é clara e humana — um convite à vigilância e ao cuidado coordenado. Se pensarmos no corpo como uma paisagem que respira em ciclos, a prevenção e a ciência trabalham como jardineiros atentos, garantindo que a colheita da vida reprodutiva não se perca quando chega o inverno da doença.
Este texto foi adaptado de declarações do professor Ermanno Greco à imprensa, com foco na relação entre oncologia, reprodução humana e políticas de acesso.






















