Por Alessandro Vittorio Romano — A conversa que nasce entre a rotina urbana e o ritmo íntimo do corpo nos lembra que algumas doenças exigem chegada rápida e olhar integrado. Rosa Pelissero, presidente do Gruppo Les Italiano, ressalta que garantir um acesso precoce às cuidados e uma presa in carico imediata é uma prioridade para diminuir o impacto do lúpus na vida das pessoas, sobretudo das mulheres jovens.
Os resultados do projeto de escuta “Italian Systemic Lupus Erythematosus (SLE) Patients: Overview of Their Quality of Life and Unmet Needs”, publicados no Journal of Clinical Medicine, mostram que antes de chegar a um centro multidisciplinar muitos pacientes percorrem um caminho com obstáculos — uma estrada tortuosa que pode agravar o quadro clínico. Pelissero lembra que esse atraso não é apenas um contratempo médico: é uma interrupção do tempo de vida, da carreira e do equilíbrio emocional.
O lúpus atinge com maior frequência mulheres entre 15 e 40 anos, uma fase em que o corpo e o projeto de vida estão em plena colheita. “Muitas vezes se perde o trabalho ou a carreira fica estagnada: quem convive com a doença precisa fazer o dobro de esforço para provar sua capacidade”, afirma Pelissero. A condição, frequentemente invisível, traz uma fadiga crônica profunda que persiste mesmo nos períodos de remissão.
As imagens de estradas que cruzam o país explicam as desigualdades regionais: pacientes obrigadas a viajar longas distâncias em busca de cuidados adequados — as chamadas “viagens da esperança”. Uma presa in carico célere pode evitar consequências graves: quando o lúpus atinge o rim é essencial a intervenção imediata, sob risco de chegar ao transplante.
Além do cuidado renal, Pelissero destaca a necessidade de atenção especial à gestão da gravidez. Dada a juventude das pacientes, o acompanhamento deve ser feito em centros multidisciplinares, com sinergia entre reumatologista, nefrologista e especialistas obstétricos para proteger mãe e bebê.
Há também um claro argumento econômico: o investimento em acesso equitativo e precoce aos tratamentos gera retorno social. “O paciente com lúpus tem custos, mas gastando mais no início e garantindo acesso tempestivo às terapias, a pessoa consegue manter sua vida laboral e reduzir o peso sobre os custos sanitários”, conclui Pelissero. É um ciclo virtuoso — como regar as raízes numa estação certa para colher saúde ao longo do tempo.
Na prática, o que se pede é simples e urgente: encurtar a distância entre o primeiro sintoma e o tratamento especializado, reduzir as desigualdades territoriais e consolidar centros que ofereçam um acolhimento integrado. Assim, além de aliviar corpos e mentes, preservamos trajetórias de vida que merecem florescer.




















