Por Alessandro Vittorio Romano — Em um gesto que lembra o cuidado de quem poda uma árvore para que ela ofereça frutos mais doces, a Società Italiana di Nutrizione Umana (SINU) acolheu com prazer a criação do Prêmio Andrea Ghiselli. A iniciativa, pensada para reconhecer e motivar jovens investigadores dedicados ao estudo da nutrição, foi anunciada na primeira edição do evento Premio Andrea Ghiselli – ‘Dialoghi sull’alimentazione’, organizado pela Fondazione Istituto Danone em parceria com a própria SINU.
Segundo Anna Tagliabue, presidente da SINU, a pesquisa é o fértil solo onde crescem as novas certezas que conectam alimentação e saúde. “A ricerca è la base per andare avanti sulle conoscenze che legano l’alimentazione alla salute”, disse Tagliabue, lembrando que iniciativas como o prêmio são sementes lançadas para que nasçam projetos e carreiras científicas capazes de transformar recomendações em práticas reais.
Há, como explicou a presidente, um “legame intimo” entre as linee guida e os LARN — os níveis de referência de nutrientes. As primeiras traduzem as indicações dos LARN, criando um diálogo contínuo entre evidência científica e orientação prática. Esse elo, comparável à respiração ritmada de uma cidade que se adapta às estações, é essencial para que as recomendações alimentares reflitam tanto o saber acumulado quanto as necessidades da população.
Na voz de quem observa as estações e a vida das pessoas, a chegada deste prêmio tem a delicadeza de um novo broto: oferece reconhecimento, visibilidade e incentivo aos jovens pesquisadores que, com método e sensibilidade, investigam as relações entre dieta, bem-estar e prevenção. Tagliabue expressou a esperança de que esta seja apenas a primeira de muitas edições: um ciclo que se renova, tal como a colheita de hábitos que nasce de atitudes cultivadas ao longo do tempo.
Organizadores e participantes ressaltaram que a premiação não é apenas simbólica: ela reafirma o papel da investigação como ponte entre conhecimento técnico e prática cotidiana. Em tempos em que a alimentação é tanto cultura quanto ciência, promover estudos robustos significa investir na saúde coletiva — um investimento que brota em cidades, lares e escolas, alterando o compasso da rotina e a qualidade do ar das nossas decisões diárias.
O Prêmio Andrea Ghiselli, em sua primeira edição, surge assim como um convite. Não apenas para celebrar a ciência, mas para cultivar um diálogo vivo entre pesquisadores, profissionais de saúde, instituições e cidadãos. É também um lembrete de que, para avançarmos nas diretrizes que orientam o que comemos, precisamos antes semear curiosidade, disciplina e colaboração — os ingredientes fundamentais para que o conhecimento floresça.
Ao encerrar sua intervenção no evento, Tagliabue sublinhou a importância de repetir a iniciativa nos próximos anos, consolidando um circuito virtuoso onde cada nova geração de pesquisadores encontra estímulo e direção. Na tessitura entre evidência e prática, o prêmio funciona como fio que liga passado, presente e futuro de uma ciência que, como a paisagem, evolui e inspira atenção sensível ao cotidiano.




















