Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma conversa que mistura compromisso e a serenidade da rotina bem-resolvida, a região do Piemonte anunciou um número que soa como colheita após um ano de esforço: foram recuperadas 250 mil prestazioni de saúde graças à introdução de visitas serais e nos fins de semana, medidas iniciadas em 2025.
O anúncio foi feito pelo assessor regional à Saúde, Federico Riboldi, durante a coletiva em que a giunta traçou as prioridades para 2026. Riboldi informou também que há um reforço financeiro previsto: mais 35 milhões de euros serão investidos para ampliar e consolidar essa oferta de horários estendidos.
Se pensarmos nas demandas acumuladas como folhas secas ao longo do tempo, a iniciativa de abrir a janela noturna dos serviços de saúde permitiu soprar um vento que as varreu — recuperando consultas e exames que corriam risco de se perder entre listas de espera. O Piemonte, segundo Riboldi, não apenas recuperou o atraso, mas alcançou e superou a produção pré-pandemia: eram 2.181.147 prestazioni em 2019; em 2025 chegaram a 2.204.084. Para referência do impacto do choque global, o ano de 2020 registrou pouco mais de 1.310.000 atendimentos.
Esses números contam mais do que estatística: falam de noites em que consultórios permaneceram abertos, de equipes que se reorganizaram para responder ao pulso da comunidade, e de cidadãos que encontraram horários que se encaixavam melhor no seu próprio ritmo — o que chamo de reconhecer o tempo interno do corpo frente ao tempo burocrático.
O plano de investir outros 35 milhões de euros serve como fertilizante para essa mudança de estação no calendário de saúde regional. É uma aposta na acessibilidade, na redução das filas e na continuidade de cuidados, especialmente para quem encontra dificuldade em comparecer durante o horário comercial.
Para 2026, a expectativa apresentada pela giunta é manter e ampliar o que já deu frutos: horários estendidos, serviços melhor distribuídos ao longo da semana e um monitoramento atento para garantir que a produção permaneça acima dos níveis de referência pré-Covid.
Como alguém que observa a respiração das cidades e traduz suas nuances para o bem-estar cotidiano, vejo nessa iniciativa uma pequena primavera na gestão da saúde: não é apenas recuperação numérica, mas o reencontro entre serviços e ritmos humanos. Resta acompanhar, no entanto, que o investimento prometido se traduza em continuidade — porque é no repetir das ações, noite após noite, que se consolida a mudança verdadeira.
Em resumo: o Piemonte apresenta sinais claros de uma recuperação estrutural dos serviços de saúde, com 250 mil atendimentos resgatados, superando a produção de 2019 e mirando, com novos recursos, a redução das listas de espera em 2026.






















