Turim, 06 de fevereiro de 2026 — O Piemonte estabeleceu diretrizes claras sobre o fim de vida e informou que será a própria Região a arcar com os custos dos medicamentos e de quaisquer dispositivos necessários para a sua administração no caso de suicídio medicalmente assistido. A determinação foi comunicada por meio de uma circular enviada ontem a todas as Asl regionais, segundo reportaram os jornais La Repubblica e La Stampa.
A instrução regional surge após um episódio que trouxe à tona a necessidade de separar decisões clínicas de entraves administrativos: um paciente assistido pela Asl To4 (área do Chivassese e Canavese), apesar de ter obtido a validação dos requisitos legais para prosseguir com o procedimento, foi informado de que a empresa de saúde não podia “fornecer, prescrever e entregar fármacos ou substâncias passíveis de serem utilizadas na prática do suicídio medicalmente assistido”. A nova circular da Região cita explicitamente a recente sentença da Corte Constitucional como base para a determinação.
Na prática, a decisão regional procura harmonizar a aplicação da lei com a logística do serviço de saúde: quando um paciente cumprir os requisitos legais previstos, caberá ao sistema público garantir o acesso às substâncias e aos meios de administração necessários, sem onerar o indivíduo ou deixar a assistência à mercê de recusas organizacionais. É uma medida que assume a vulnerabilidade humana como ponto de partida — um reconhecimento de que, diante do fim, a burocracia não deve ser um obstáculo.
Como um observador que contempla a paisagem humana e as estações do cuidado, vejo essa medida como um alinhamento entre o “tempo interno” de cada pessoa e a resposta institucional. Há algo de calmo e terreno nesse gesto: como quem cobre a terra para proteger uma raiz na geada, a Região intervém para que o processo, quando permitido, aconteça com dignidade e segurança.
É importante ressaltar que a circular não altera os critérios legais para o acesso ao procedimento validado pela Corte Constitucional; ela especifica, sim, quem assume os encargos logísticos e financeiros. A novidade tem implicações práticas para profissionais de saúde, gestores locais e, sobretudo, para pacientes e famílias que buscam clareza num momento de fragilidade.
O debate público sobre fim de vida e suicídio medicalmente assistido continua vivo na Itália, entre cortes, parlamentos e comunidades médicas e éticas. A decisão do Piemonte pode inspirar outras regiões a traduzir decisões judiciais em protocolos operacionais, reduzindo a incerteza para quem atravessa esse “inverno da mente” e precisa de respostas firmes.
Para quem vive as paisagens do Piemonte — entre colinas, neblinas e cidades que respiram história —, essa medida representa uma tentativa de tornar o sistema de saúde mais próximo do ritmo humano: oferecer suporte concreto quando a pessoa, amparada pela lei, decide interromper o sofrimento.
Fonte: La Repubblica, La Stampa. Redação ANSA — Turim, 06/02/2026.






















