Por Alessandro Vittorio Romano — Em Roma, na data em que o mundo marca a luta contra o câncer, o presidente da Fundação Aiom (Associação Italiana de Oncologia Médica), Francesco Perrone, lembrou que o tratamento da doença não pode se limitar às terapias clínicas: é necessária uma abordagem a 360 graus que inclua desde a saúde mental até os impactos sobre a renda e a produtividade.
Ao falar durante o congresso promovido em ocasião do Dia Mundial contra o Câncer, Perrone ressaltou números que desenham uma paisagem humana por vezes esquecida: cerca de 20% das pessoas com tumor enfrentam depressão, cerca de 10% lidam com ansiedade e mais de 50% desenvolvem algum grau de sofrimento psicológico. Esses sinais são a respiração conturbada da cidade interior daqueles que convivem com a doença — não apenas um efeito colateral clínico, mas uma transformação do tempo interno do corpo.
O impacto se estende ao mundo do trabalho. Estima-se que o câncer impeça a participação profissional de pelo menos 1,1 milhão de cidadãos na Europa. Além disso, homens e mulheres diagnosticados apresentam, respectivamente, 7% e 10% menos probabilidade de conseguir emprego em comparação com pessoas sem câncer. São números que traduzem uma perda dupla: de futuro e de dignidade, uma colheita de dificuldades que afeta família, comunidade e economia.
“As dificuldades financeiras, associadas à diminuição das entradas após a diagnóstica, podem influenciar negativamente a saúde mental, a qualidade de vida e até a sobrevida dos pacientes”, afirmou Perrone — uma observação que pede políticas que integrem cuidado clínico, apoio psicossocial e segurança econômica.
Como guia que observa a paisagem cotidiana, penso nas raízes do bem-estar: a cura precisa de solo fértil — acompanhamento psicológico acessível, políticas de proteção da renda, reinserção laboral e flexibilidade nas relações de trabalho. Quando falta essa rede, o inverno da mente se instala e compromete caminhos de recuperação.
Uma abordagem a 360 graus significa, portanto, combinar tratamentos médicos com programas que reduzam o impacto econômico, garantam suporte psicológico contínuo e promovam caminhos reais de retorno ao trabalho. É cuidar do corpo e também da respiração social do doente: o suporte emocional, a estabilidade financeira e a reinserção profissional são tão terapêuticos quanto muitos medicamentos.
Para além dos hospitais, a resposta precisa brotar em políticas públicas, acordos com empregadores e serviços comunitários. Só assim construiremos um cenário em que a cura não seja medida apenas em taxas de sobrevivência, mas também na qualidade de vida — na capacidade de voltar a colher hábitos, retomar rotinas e sentir a cidade respirar de novo.
Nesse Dia Mundial contra o Câncer, a mensagem de Perrone ecoa como um convite: tratar o câncer é cuidar de uma pessoa inteira — sua mente, seu trabalho, sua renda — e tecer uma rede que permita a cada história continuar florescendo.






















