PADOVA — Em um avanço que mistura precisão mecânica e cuidado humano, a Azienda Ospedale Università Padova realizou com sucesso o primeiro transplante de fígado completamente robótico, com o órgão mantido protegido por uma máquina de perfusão durante todo o implante. A intervenção representa um marco no cenário internacional por unir uma técnica inovadora de preparo do órgão à implantação por cirurgia assistida por robô.
A equipe liderada pelo professor Umberto Cillo, diretor da UOC de Cirurgia Hepatobiliopancreática e dos Transplantes de Fígado, conduziu o procedimento em ambiente totalmente robotizado. Graças aos braços e instrumentos robóticos, o órgão pôde ser implantado por meio de apenas dois pequenos orifícios, evitando a cirurgia aberta tradicional. Ao mesmo tempo, a tecnologia da máquina de perfusão manteve o fígado em condições ideais, preservando e otimizando suas funções enquanto era transferido e reimplantado.
Segundo o professor Cillo, a novidade não está apenas no uso do robô, mas na combinação inédita entre a preparação do órgão em máquina de perfusão e o implante minimamente invasivo — um conjunto de práticas que, até o momento, não tem paralelo em escala mundial. A experiência tem ecos de intervenções anteriores realizadas em Modena, mas em Pádua o processo foi levado a um novo patamar: “Tivemos êxito no primeiro transplante de fígado completamente robótico, com o órgão totalmente protegido pela máquina de perfusão durante o implante”, afirmou Cillo.
Do ponto de vista prático, a cirurgia robótica permite movimentos mais finos, maior estabilidade e acesso por pequenas incisões — uma espécie de respiração delicada no corpo da cidade cirúrgica, que reduz o trauma físico e pode acelerar a recuperação. Já a máquina de perfusão funciona como um ambiente temporário que continua a nutrir o órgão fora do corpo, mantendo seus tecidos vivos e testando suas funções antes e durante o transplante. A união dessas duas tecnologias cria um diálogo entre máquina e biologia, como uma colheita cuidadosa onde cada fruto é protegido até o momento de ser semeado novamente.
Em termos de impacto, a técnica pode representar uma evolução importante nos transplantes hepáticos, sobretudo para órgãos que se beneficiam de suporte extracorpóreo antes do implante. Ainda são necessários acompanhamentos e avaliações a médio e longo prazo para medir todos os benefícios clínicos e funcionais, mas o feito em Pádua abre caminho para protocolos mais suaves e precisos.
Como observador sensível da relação entre ambiente e bem-estar, vejo este avanço como a convergência entre a técnica e a empatia: a máquina que protege o órgão atua como um casulo temporário, enquanto o robô oferece mãos mais seguras e delicadas. É a combinação de raízes tecnológicas e o cuidado humano que permite renovar esperanças para pacientes e profissionais. A cidade de Pádua, nesta pequena câmara operatória, respirou um ar de futuro — um futuro onde o corpo e a máquina colaboram para dar nova vida.
A notícia reforça o papel de centros de excelência italianos na vanguarda da cirurgia e sublinha a importância de integrar inovação tecnológica com protocolos que priorizem a preservação do órgão e a recuperação do paciente. A equipe de Cillo segue monitorando a evolução do caso e divulgando resultados à comunidade científica para que outros centros possam avaliar e, quando apropriado, replicar a abordagem.






















