Por Alessandro Vittorio Romano — Observando o ritmo das estações e a respiração das cidades, percebo que a pesquisa clínica precisa tanto de tempos bem regulados quanto de solo fértil para crescer. Um documento de consenso publicado em Recenti Progressi in Medicina reúne propostas concretas para otimizar a investigação clínica na Itália, fruto do projeto CARE — Clinical Advancement and Research Excellence.
O projeto, promovido por McCann Health Boot com contribuição não condicionante da Novo Nordisk e coordenado por um Steering Committee formado por representantes das principais sociedades científicas, identifica quatro prioridades programáticas que desenham um mapa de intervenção para tornar o sistema mais competitivo e sustentável:
- Respeitar os prazos de assinatura dos contratos de patrocínio entre o promotor e o centro experimental, alinhando-se ao decreto ministerial n. 31 (7 de fevereiro de 2023) que prevê a assinatura em até 7 dias após a autorização da AIFA;
- Definir padrões nacionais para os Clinical Trial Sites — as estruturas onde se realizam os estudos — e criar um portal nacional que agregue organização, capacidades e performance dos centros;
- Clarificar o papel e as modalidades de envolvimento dos médicos de medicina geral, integrando-os de forma sistemática nos circuitos dos ensaios;
- Promover campanhas de informação e sensibilização sobre a importância e as oportunidades da pesquisa clínica para pacientes e profissionais.
Os números mostram um país com potencial: em 2023 foram autorizados 611 ensaios clínicos na Itália, majoritariamente de fase III (43%), multicêntricos (84%) e com forte presença oncológica (35%). A Itália ocupa a quarta posição na Europa por número de novos estudos, atrás de Espanha, França e Alemanha. Ainda assim, a paisagem revela obstáculos — barreiras burocráticas, económicas, infraestruturais e culturais — que retardam a florada da investigação.
Dados do relatório Altems 2023 sublinham que os sites italianos têm capacidade para estudos de alto nível, mas falta uniformidade de qualidade. A exigência legal de assinatura contratual em 7 dias é pouco observada: apenas 1% dos centros cumpre esse prazo, um sintoma de fricção administrativa que afeta o tempo até o primeiro recrutamento do paciente. Segundo Altems 2025, a Itália demora, em média, 35 dias a mais que a Espanha para chegar ao primeiro arruolamento, uma diferença que reduz a cota de pacientes em ensaios multinacionais.
Do ponto de vista prático, existe um gap de competitividade tanto na fase contratual quanto na ativação e arranque do recrutamento. O documento de consenso propõe, portanto, intervenções organizativas, padronização de qualidade e mecanismos de preparedness — estar prontos para gerir a pesquisa clínica em todos os seus ciclos — como caminhos para transformar esse terreno e colher melhores resultados.
Como quem observa um vinhedo antes da poda, penso que essas medidas podem ajustar o tempo interno do sistema: encurtar prazos, equipar centros, envolver médicos de família e comunicar com clareza são podas e aduba que prometem um amadurecimento mais harmonioso da pesquisa clínica italiana. É uma colheita de políticas e práticas que, se bem conduzida, pode devolver ao país um papel ainda mais central no mapa europeu da investigação biomédica.





















