Por Alessandro Vittorio Romano — Em um encontro que cheira a cidade em plena respiração institucional, a Sala Refettorio da Câmara dos Deputados recebeu hoje o convegno Odontoiatria speciale nel soggetto fragile, promovido pela SIOH (Società Italiana di Odontostomatologia per l’Handicap), em parceria com o CNEL e a FedEmo. A iniciativa segue o caminho iniciado em outubro passado e reacende um apelo claro: inserir a odontologia especial no Piano Nazionale della Prevenzione (Pnp), reconhecendo a prevenção e a higiene oral como cura primária — um gesto de saúde pública que reduz complicações, custos e desigualdades.
Como quem cuida de um jardim urbano, onde cada planta comunica o estado do terreno, os organizadores e profissionais presentes recordaram que a saúde bucal é espelho e catalisador do bem-estar sistêmico. Em pessoas com hemofilia ou doenças hemorrágicas congênitas, bem como em sujeitos com múltiplas fragilidades e condições clínicas complexas, uma simples afecção do cavo oral pode agravar doenças pré-existentes; ao mesmo tempo, condições gerais comprometidas afetam a boca. Daí a urgência de uma abordagem preventiva, interdisciplinar e respeitosa das trajetórias de vida.
“Para quem convive com uma doença hemorrágica congênita, mesmo um procedimento odontológico de rotina pode exigir competências específicas e um enlace contínuo com os centros especializados”, explicou Cristina Cassone, presidente da FedEmo. Reforçar a prevenção e definir padrões nacionais significa garantir cuidados verdadeiramente seguros e acessíveis, superando as marcantes diferenças territoriais: um convite a transformar a fragmentação em rede.
O apelo formal, levado à Câmara pela deputada Simona Loizzo — líder da XII Comissão de Saúde — visa a criação de um tavolo tecnico nazionale dedicado à prevenção e às práticas odontológicas para sujeitos fragili. O objetivo é claro como a luz que atravessa as janelas do refettorio: desenhar um modelo nacional que garanta percursos homogêneos de prevenção, diagnóstico e tratamento, reduzindo as disparidades entre regiões.
Entre as linhas de ação já delineadas estão a elaboração de padrões compartilhados para incluir a odontologia especial no Pnp; o desenvolvimento de programas estruturados de formação e atualização para dentistas, higienistas e equipes dedicadas; e o lançamento de uma mapeamento epidemiológico dos reais necessidades de pacientes e cuidadores. É uma colheita de dados e saberes que pretende orientar políticas públicas e práticas clínicas.
Mais do que normas, fala-se de uma ética do cuidado que respeita o tempo interno do corpo e a respiração da cidade: cuidados orais que protegem a integridade sistêmica e promovem qualidade de vida. O convegno reafirma que investir em prevenção bucal para populações fragilizadas é investir em dignidade, equidade e sustentabilidade do sistema de saúde.
O percurso iniciado hoje é um convite à ação contínua — do gabinete à cadeira do dentista — para que a prevenção deixe de ser margem e se torne primeira linha de cuidado. Enquanto se avança na constituição do tavolo tecnico, permanece viva a imagem de uma rede onde cada nó garante que ninguém, por fragilidade ou por território, fique sem acesso a cuidados orais seguros e especializados.






















