ROMA, 20 de janeiro de 2026, 17:31
Por Alessandro Vittorio Romano – Espresso Italia
Dois anos após a aprovação da lei conhecida como oblio oncológico, faltava ainda uma peça crucial do quebra-cabeça: a proteção concreta no universo do trabalho para quem venceu o câncer. Hoje esse espaço foi preenchido. O governo publicou o decreto interministerial Trabalho-Saúde que aponta caminhos claros para a reintegração no trabalho e a manutenção das oportunidades profissionais de cerca de um milhão de pessoas na Itália — parte dos mais de 3,7 milhões que vivem após um diagnóstico oncológico.
O decreto nasce depois de um amplo diálogo com associações de pacientes e visa oferecer uma igualdade de oportunidades na inserção e permanência no emprego, no acesso aos serviços relacionados e na requalificação dos percursos de carreira e retributivos. Em linguagem prática, o texto aprofunda e operacionaliza o espírito da lei: trata-se de transformar garantias jurídicas em medidas concretas, como quem converte a semente em muda pronta para florescer.
Entre as disposições centrais, o decreto equipara as pessoas curadas de patologias oncológicas aos beneficiários dos instrumentos dedicados à vulnerabilidade laboral: o Programma GOL (Garanzia di occupabilità dei lavoratori), o Fondo Nuove Competenze, o Assegno di Inclusione e o Supporto per la Formazione e il Lavoro. Além disso, o texto habilita a ativação de acordos razoáveis, previstos nas normas de recepção da Convenção da ONU sobre os direitos das pessoas com deficiência, para adaptar o ambiente de trabalho às necessidades de quem retomou a vida profissional.
Para quem passou por uma terapia oncológica, a recuperação é como um lento despertar da paisagem interna: requer tempo, adaptações e cuidado. O novo decreto reconhece essa respiração mais lenta e oferece instrumentos para que a volta ao trabalho não seja um choque com o cotidiano, mas um retorno amparado por medidas de inclusão, formação e suporte salarial.
Especialistas e representantes das associações celebraram o avanço: trata-se de reduzir desigualdades que persistiam mesmo após a cura clínica, fomentando a dignidade e a autonomia de quem reconstrói a sua trajetória profissional. Na prática, empresas, centros peritali e serviços regionali deverão agora aplicar procedimentos e percursos pensados para integrar essas pessoas entre os beneficiários das politiche attive del lavoro.
Este passo regulamentar não é um fim, mas o início de uma colheita de hábitos institucionais que podem transformar o mercado de trabalho. Como uma colheita cuidadosa, a implementação exigirá vigilância, formação de operadores e diálogo contínuo com quem vive a experiência do pós-câncer.
Ao leitor que respira o ambiente urbano entre uma estação e outra: este decreto é uma promessa de cuidado em forma de lei — uma rede para que a cidade volte a acolher, com respeitosa atenção, quem reconstrói a própria vida profissional após o câncer.






















