Por Alessandro Vittorio Romano — A obesidade mostra-se como uma paisagem desigual na Itália: mais presente nas regiões do Sul, mas com a maior parte dos serviços de tratamento concentrada no Norte. É este o paradoxo que a Società italiana dell’obesità (Sio) desenha na sua “mapa das desigualdades”, apresentado às vésperas do Dia Mundial da Obesidade, em 4 de março.
Dos 160 centros dedicados ao cuidado da obesidade em atividade no país, 52% localizam-se no Norte, 18% no Centro e 30% no Sul e nas Ilhas. No Sul, a maior concentração aparece em três regiões: Sicília, Campânia e Puglia, enquanto outras áreas, como Calabria e Molise, permanecem quase em sombra, com pouca ou nenhuma oferta formal de acompanhamento.
Essa assimetria não é só geográfica: repercute na disponibilidade de percursos terapêuticos e na utilização de terapias inovadoras. A aprovação dos Percorsi diagnostico terapeutico assistenziale (Pdta) varia muito entre as regiões, e, sem uma linha uniforme, o acesso ao cuidado torna-se dependente de onde se nasce ou vive. É uma colheita desigual de serviços num campo em que a necessidade cresce.
Outro ponto crítico é o acesso aos novos fármacos anti-obesidade, os agonistas do receptor GLP-1. Quando não há diagnóstico de diabetes, esses medicamentos ficam a cargo dos pacientes: o custo médio estimado é de cerca de 300 euros por mês. Na prática, isso cria uma barreira econômica que favorece quem tem maiores rendimentos, ampliando a distância entre quem precisa e quem pode pagar.
Como observador atento do cotidiano — e do ritmo vivo das cidades — vejo nessa desigualdade uma espécie de descompasso entre o tempo interno do corpo e a respiração do sistema de saúde. Enquanto a prevalência da obesidade aumenta no Sul, os recursos especializados surgem como pequenas ilhas no mapa, obrigando muitas famílias a viagens longas ou a escolhas difíceis entre tratamento e outras necessidades.
A Sio chama atenção para a necessidade de um desenho nacional que harmonize os Pdta, espalhe os centros com critérios de equidade e facilite o acesso às novas terapias, reduzindo a carga financeira sobre os doentes. Não se trata apenas de equilibrar números: trata-se de devolver à população o ritmo sereno de cuidados, como quem poda com delicadeza uma árvore para que volte a florescer.
Ao olhar para essa questão com sensibilidade — e sem perder a objetividade — percebemos que enfrentar a obesidade pede um trabalho que una políticas públicas, investimento regional e clareza na cobertura terapêutica. Só assim poderemos transformar o mapa das desigualdades numa paisagem mais homogênea, onde o bem-estar brote com a regularidade das estações.
Esta reportagem foi elaborada com base nos dados divulgados pela Società italiana dell’obesità e nas informações públicas sobre a distribuição de centros e políticas terapêuticas na Itália.






















