No novo episódio do vodcast da Sociedade Italiana de Pediatria (Sip), dedicado à letra A de ‘Alimentazione corretta’, chegam recomendações claras para diminuir o risco futuro de doenças crônicas desde a infância. O programa, parte da série “Le 6 A – La salute si costruisce da piccoli”, está disponível nos canais oficiais e oferece um mapa prático para familias e escolas.
Os dados do sistema de vigilância Okkio alla Salute, do Istituto Superiore di Sanità, são um alerta: em média, 1 em cada 3 crianças na Itália convive com sobrepeso ou obesidade infantil. É um paradoxo que pesa — especialmente em um país berço da dieta mediterrânea — e que coloca a Itália em quarto lugar na Europa quanto ao excesso ponderal na infância. Ao mesmo tempo, somos pioneiros: o país foi o primeiro no mundo a reconhecer, por lei, a obesidade como doença.
Elena Scarpato, do conselho diretor da Sip, recorda números fundamentais: cerca de 10% das crianças entre 5 e 19 anos vivem em condição de obesidade, enquanto 19% estão em sobrepeso. Essas prevalências se intensificam quando se observam contextos socioeconômicos mais desfavorecidos — uma sombra que acompanha a nutrição e o acesso a oportunidades de movimento.
As causas são conhecidas e, na prática diária, quase sempre evitáveis: hábitos alimentares inadequados e sedentarismo. No detalhe, explicam os pediatras: até 11% das crianças pulam a primeira refeição do dia; quase 70% optam por lanches abundantes e hipercalóricos na metade da manhã; e quase 30% consomem uma quantidade insuficiente de frutas e verduras. Soma-se a isso o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e a presença de aditivos que comprometem a qualidade nutricional. Em paralelo, quase 20% não praticam atividade física regular e quase metade das crianças de 6 a 7 anos passa mais de 2 horas diárias em frente a telas.
Rino Agostiniani, presidente da Sip, celebra o reconhecimento legal da obesidade como passo importante, mas pede vigilância: a aplicação das medidas previstas — sobretudo em educação e prevenção — precisará ser monitorada, especialmente nas regiões onde o problema é mais profundo.
Do vodcast emergem recomendações sensatas e aplicáveis: restaurar o ritual da primeira refeição, priorizar alimentos frescos e a oferta generosa de frutas e verduras, reduzir a presença de ultraprocessados em casa e na escola, limitar o tempo diário de telas e cultivar o gosto pelo movimento, integrando atividade física nas rotinas familiares. São gestos simples, semelhantes à poda que prepara a árvore para uma boa colheita: pequenas escolhas que transformam o tempo interno do corpo e o ritmo cotidiano da casa.
O episódio da Sip funciona como um guia: não se trata de culpa, mas de caminhos possíveis. Monitorar a implementação das leis, apoiar famílias em situação de vulnerabilidade e reforçar a educação nutricional nas escolas são passos que, juntos, podem transformar a paisagem da saúde infantil na Itália.




















