Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma análise que une números e sensações sobre a saúde coletiva, o Ceis (Centre for Economic and International Studies) da Universidade de Roma Tor Vergata revela um quadro que é, ao mesmo tempo, alerta e oportunidade. Entre 2015 e 2019, foram estimados cerca de 1,4 milhão de internações por eventos cardiovasculares adversos maiores (MACE) em pessoas com obesidade na Itália, gerando um custo médio anual aproximado de 2 bilhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde (SSN).
Os dados destacam que o custo médio por internação gira em torno de 6.837 euros por paciente. As hospitalizações por MACE constituem a parcela mais relevante dos custos diretos vinculados à obesidade, mas não são a única despesa: medicamentos para complicações associadas, consultas especializadas, exames diagnósticos e acompanhamentos representam uma fração significativa dos custos de saúde suportados pelo SSN — itens que, em conjunto, compõem cerca de 55% das despesas assistenciais remanescentes. No total, os custos diretos respondem por aproximadamente 59% do ônus econômico da obesidade, sendo o restante atribuído a custos indiretos, sobretudo a perda de produtividade causada pela doença e suas complicações.
O estudo, apresentado em Roma (Palazzo Baldassini) com o contributo não condizionante de Novo Nordisk SpA Italy, oferece pela primeira vez na Europa uma avaliação abrangente do burden epidemiológico e econômico dos MACE em pessoas com obesidade e quantifica os benefícios econômicos potenciais do uso de opções terapêuticas eficazes na redução do risco cardiovascular.
Os resultados confirmam um aspecto já sentido no dia a dia clínico: a incidência de MACE é significativamente maior entre indivíduos com obesidade, com risco aumentado estimado entre 67% e 85% em comparação com a população sem obesidade. Esse salto no risco traduz-se em mais internações, mais tratamentos complexos e um ciclo de custos que pesa sobre o sistema e sobre as vidas afetadas — como se a cidade respirasse mais devagar quando as raízes do bem-estar estão enfraquecidas.
Mas há também um sopro de esperança. A combinação de intervenções no estilo de vida com tratamentos farmacológicos capazes de reduzir os MACE poderia gerar um impacto econômico relevante: a pesquisa estima uma economia de até 550 milhões de euros em 2 anos para o sistema de saúde. Em termos práticos, isso significa menos leitos ocupados, menos episódios graves e mais recursos liberados para prevenir a próxima onda de complicações.
Na minha observação sensível da vida cotidiana, esse número não é apenas cifra contábil — é a possibilidade de devolver tempo e qualidade de vida às pessoas, de permitir que famílias não sejam interrompidas por uma internação inesperada e que a cidade volte a respirar com mais regularidade. A obesidade se mostra não só como uma condição clínica, mas como um fator de risco que, quando tratado com estratégias eficazes, pode transformar a economia da saúde em algo mais sustentável e humano.
Os autores do estudo sublinham a necessidade de políticas públicas e modelos assistenciais que façam coincidir evidência clínica e escolhas econômicas. Investir em terapias comprovadas e em programas de mudança de estilo de vida é plantar uma colheita de hábitos que pode render frutos palpáveis para pacientes e para o SSN.
Enquanto observamos o mapa das internações e dos custos, é urgente agir com sensibilidade: cuidar do corpo, ajustar o ritmo das cidades e oferecer terapias que não apenas tratem o sintoma, mas fortaleçam as raízes do bem-estar. Só assim transformaremos alarmes estatísticos em rotas de cuidado capazes de nutrir uma saúde mais resiliente.






















