O ano de 2026 pode ser a colheita de hábitos que melhora nosso bem‑estar: pequenos gestos quotidianos, dizem os especialistas do Instituto Superior de Saúde (ISS), fazem a diferença para uma vida mais longa e serena. O presidente do ISS, Rocco Bellantone, lembra que cuidar da saúde não pede revoluções, mas atenção às muitas pequenas escolhas do dia a dia — da mesa de jantar ao descanso noturno, do armário de remédios ao ar que respiramos dentro de casa.
Entre os conselhos práticos que o instituto partilhou, alguns são quase poéticos na sua simplicidade: comer mais devagar, verificar a validade dos medicamentos, desligar o smartphone de vez em quando e arejar a casa. São atitudes que se enraízam com facilidade na rotina e que, somadas, transformam o modo como sentimos o nosso corpo.
Laura Rossi, do Reparto de Alimentação, Nutrição e Saúde do ISS, explica que comer mais devagar não é apenas questão de etiqueta, mas de saúde. Quando nos sentamos de verdade à mesa — com atenção ao que e como comemos — regulamos melhor o apetite e evitamos exageros calóricos. Mastigar lentamente, fazer pequenas pausas e reconhecer os sinais de saciedade ajudam o organismo a digerir melhor e reduzem o stress fisiológico. Em termos práticos, Rossi sugere limitar distrações como a TV ou o smartphone, não pular a pausa para o almoço e preferir pratos simples, ricos em vegetais e pouco condimentados. Além disso, partilhar a refeição é um gesto social que reforça a convivialidade — o alimento como cultura.
Outro alerta claro vem de Giulio Pisani, do Centro Nacional de Controlo e Avaliação dos Medicamentos do ISS: um medicamento não é para sempre. A data de validade impressa na embalagem resulta de estudos de estabilidade e garante a eficácia e a segurança até aquele prazo, desde que as instruções de conservação sejam respeitadas. Verificar se a embalagem está íntegra e sem sinais de alteração é essencial; fora do período de validade, não se pode garantir a eficácia nem a segurança do produto. Guardar medicamentos em locais adequados — evitando calor excessivo ou humidade — é tão importante quanto checar prazos antes de os usar.
Na mesma sintonia de cuidar do corpo e da mente, o ISS lembra a importância de pequenos rituais digitais: desligar o smartphone de vez em quando para diminuir estímulos, proteger o sono e recuperar espaço mental. E abrir as janelas traz algo mais do que ar fresco: renovar o ar de casa reduz poluentes interiores e a concentração de vírus e bactérias, um gesto simples que respira saúde para o lar.
Esses conselhos do ISS chegam como um lembrete carinhoso: o bem‑estar é um jardim que se trabalha todos os dias, com gestos repetidos. Não se trata de regras rígidas, mas de reconectar as nossas escolhas aos ritmos naturais — o tempo interno do corpo, a respiração da casa, a pausa que transforma uma refeição em convívio.
Para 2026, o pedido é claro: abandonar hábitos que já não servem e abraçar práticas que nutrem o corpo e a comunidade. Vivamos mais tempo e melhor, com medidas tangíveis e sensíveis à nossa vida quotidiana.































