Sou Alessandro Vittorio Romano, e observo como as paisagens sociais moldam o nosso bem-estar. Nos últimos dias, um episódio ocorrido em La Spezia acendeu um sinal de alerta: um jovem de 18 anos esfaqueou um colega de mesma idade dentro da escola, após uma discussão por causa de uma garota. O caso, divulgado pela ANSA, trouxe de volta uma reflexão urgente sobre a normalização da violência entre os mais novos.
Em entrevista à agência, o psiquiatra Claudio Mencacci descreveu uma tendência inquietante: entre muitos jovens a agressão vem se transformando na resposta mais imediata e, perigosamente, na primeira opção para enfrentar conflitos. Na visão do especialista, o gesto violento é por vezes confundido com sinal de força ou identidade, quando, na verdade, funciona como uma máscara que esconde uma profunda fragilidade e a ausência de uma identidade segura.
Vivemos num tempo em que imagens, vídeos e narrativas nas redes sociais moldam a respiração coletiva. Há uma crescente rotina de exposição que dessensibiliza e transforma atos extremos em algo próximo do cotidiano. O psiquiatra observa que essa tendência tem raízes no modo como os jovens hoje lidam com vínculos afetivos: há menos ferramentas emocionais para negociar contratempos, enquanto a violência aparece como caminho direto e de uso imediato.
Outro ponto que chama atenção é o papel da faca como objeto simbólico. Mencacci lembra que, para muitos adolescentes, o instrumento vira um acessório quase normalizado — um símbolo de autoproteção e poder, reforçado pela facilidade de uso e pela rapidez com que se converte em agressão. É uma imagem dura: um instrumento pequeno que amplia, em um instante, a intensidade do conflito.
Enquanto observador do cotidiano e das estações da vida, vejo essa dinâmica como um inverno que precisa ser aquecido por práticas de comunidade. É preciso semear outra colheita: fortalecer a educação emocional nas escolas, abrir espaços de escuta para famílias e jovens, treinar professores para identificar sinais de risco e apoiar políticas públicas que limitem o acesso a armas brancas e promovam alternativas de mediação de conflitos.
Intervir é também regar os hábitos que criam resiliência — empatia, diálogo, reconhecimento das emoções — porque não se trata apenas de punir a ação, mas de cultivar raízes mais profundas. A cidade, assim como o corpo, tem um tempo interno; se deixarmos o terreno seco, brotam respostas bruscas e perigosas. Se cuidarmos da terra, a paisagem muda.
Como sociedade, precisamos de um compromisso coletivo: escolas que sejam refúgios de aprendizagem emocional, famílias que cultivem escuta ativa e redes sociais que não glamurizem a violência. Só então poderemos transformar, com paciência e persistência, a imagem da força pela imagem do cuidado.
Este relato parte da cobertura da ANSA e do comentário de Claudio Mencacci, e segue como convite à reflexão — e à ação — para que a normalização da violência não vire a colheita das próximas gerações.





















