Por Alessandro Vittorio Romano — Uma ponte invisível entre o cérebro e o coração pode atuar como um verdadeiro antídoto contra o tempo que pesa sobre o músculo cardíaco. É o que revela um estudo internacional coordenado pela Scuola Superiore Sant’Anna e publicado na revista Science Translational Medicine, que destaca o papel protetor do ramo direito do nervo vago para a saúde das células cardíacas.
Os pesquisadores mostram que manter a innervação vagal bilateral do coração funciona como um fator anti-envelhecimento cardíaco, de forma independente da frequência cardíaca. Em termos práticos, a conexão com o nervo vago direito ajuda a preservar a funcionalidade dos cardiomiócitos e a combater os mecanismos de remodelamento que, com o tempo, degradam a força e a estrutura do músculo cardíaco.
Este trabalho interdisciplinar combina medicina experimental e bioengenharia aplicada à pesquisa cardiovascular. A investigação foi liderada pelo grupo de Medicina Crítica Translacional (TrancriLab) do Centro Interdisciplinar Health Science da Scuola Sant’Anna, sob a responsabilidade de Vincenzo Lionetti, em colaboração com o laboratório do Instituto de Biorrobótica dirigido por Silvestro Micera. Foi nesse último que se desenhou um conduto nervoso bioabsorbível, projetado para favorecer a regeneração espontânea do nervo vago na região cardíaca.
A atividade experimental ocorreu em Pisa e recebeu financiamento europeu FET (Future and Emerging Technologies) por meio do projeto NeuHeart, além de apoio parcial dos fundos PNRR do Tuscany Health Ecosystem. Ao estudo aderiram diversas instituições italianas e internacionais, incluindo a Scuola Normale Superiore, a Universidade de Pisa, a Fundação Toscana G. Monasterio, o Instituto de Fisiologia Clínica do CNR, a Universidade de Udine, GVM Care & Research, a Universidade Nacional Al-Farabi do Cazaquistão, o Leibniz Institute on Ageing de Jena e o Politécnico Federal de Lausanne.
Como observa Lionetti, quando a integridade da conexão com o nervo vago se perde, o coração tende a envelhecer mais depressa. A cardiologista Anar Dushpanova acrescenta que mesmo a restauração parcial do elo entre o nervo vago direito e o coração já é suficiente para conter os processos de remodelamento e preservar uma contração cardíaca eficaz.
As implicações clínicas são amplas. Os autores sugerem que a reabilitação da innervação vagal durante cirurgias cardiotorácicas e em situações de transplante poderá abrir um novo capítulo na proteção a longo prazo do coração, mudando o foco da mera gestão das complicações tardias para a prevenção do envelhecimento cardíaco precoce.
Como um jardineiro que protege as raízes para que a árvore dê frutos mais fortes, preservar a ligação nervosa entre cérebro e coração é, para mim, uma forma de cuidar do tempo interno do corpo. A pesquisa italiana aponta caminhos concretos — tecnológicos e cirúrgicos — para regar essa conexão, oferecendo uma colheita de esperanças para um envelhecer mais bem-harmonizado.


















