Por Alessandro Vittorio Romano — Em um país onde a paisagem científica poderia florescer como um pomar bem cuidado, os dados mais recentes revelam que as mulheres ainda colhem menos frutos das novas tecnologias. Segundo um inquérito da UNESCO, apenas 34% das mulheres na Itália atuam nas disciplinas STEAM (ciência, tecnologia, engenharia, arte e matemática) e — mais preocupante — somente 26% delas estão diretamente envolvidas no uso da inteligência artificial.
Essa margem reduzida não é apenas uma estatística: é uma voz faltante nas decisões que moldam o futuro da saúde, da tecnologia e da vida quotidiana. Em especial na radiologia, área onde a IA já está redesenhando práticas clínicas, a escassez feminina pede uma reflexão que vá além da pressa técnica e atinja as raízes culturais.
Para marcar a Giornata internazionale delle donne e delle ragazze nella scienza, comemorada em 11 de fevereiro, a Società italiana di radiologia medica e interventistica (SIRM) promoveu, no Centro Diagnostico Italiano em Milão e em colaboração com a Fondazione Bracco, a edição 2026 do encontro intitulado “Intelligenza artificiale: conoscenza, responsabilità e partecipazione“. O evento buscou iluminar caminhos para mais inclusão e protagonismo feminino na adoção e governança das tecnologias emergentes.
“A IA abre cenários fascinantes também na radiologia, mas a baixa presença feminina exige uma reflexão profunda e uma mudança cultural decidida — tudo em benefício dos pacientes”, afirma Nicoletta Gandolfo, presidente nacional da SIRM. Suas palavras ecoam como um chamado à colheita de hábitos novos: políticas de incentivo, formação dirigida e maior participação das mulheres nas frentes onde as decisões sobre algoritmos e cuidado são tomadas.
Na prática clínica, a aplicação da inteligência artificial aos equipamentos radiológicos já permite avanços consideráveis: desde a otimização de imagens e redução de doses até a triagem automatizada que acelera diagnósticos. Ainda assim, sem a diversidade de perspectivas — incluindo as vozes femininas — corremos o risco de projetar soluções que não reflitam plenamente as necessidades de toda a população.
O cenário lembra um outono em que nem todas as árvores recebem a mesma luz: a paisagem técnica transforma-se, mas algumas raízes continuam sombreadas. Para florescer, o sistema científico precisa de políticas que favoreçam a equidade no acesso à formação em IA, mentoria efetiva e modelos de carreira que reconheçam e fomentem a presença feminina nos laboratórios, nas salas de comando dos algoritmos e nas salas de exame.
Concluo com um convite sensível: olhar para este tema como se observássemos um jardim comunitário — se queremos frutos mais abundantes e variados, devemos cuidar do solo, semear com intenção e garantir água em igual medida para todas as plantas. A participação das mulheres na inteligência artificial nas ciências não é apenas uma questão de justiça social; é também um ato de cuidado com a saúde coletiva e com a qualidade das inovações que nos rodeiam.






















