Com a sensibilidade de quem observa as estações da vida, comunicamos a partida, aos 93 anos, do professor Tullio Rossi, figura central da obstetrícia e ginecologia siciliana. Nascido em Messina a 29 de janeiro de 1933, o percurso de Rossi entrelaçou-se com a história da Universidade de Palermo e da sua clínica, onde deixou raízes profundas — como uma árvore que ofereceu sombra a gerações inteiras de médicos, estudantes e pacientes.
Formado em Medicina e Cirurgia pela Universidade de Palermo em 1958, e especializado em Obstetrícia e Ginecologia com louvor em 1962, Rossi cedo mostrou um rigor científico e uma dedicação clínica que lembravam a respiração pausada de quem conhece o valor do cuidado. Nos primeiros anos, buscou formação nos grandes centros universitários europeus da época, entre eles Munique e Liubliana, trazendo consigo saberes que floresceriam na prática local.
Iniciou como assistente voluntário em 1961, tornou-se assistente ordinário na Clínica Obstétrica e Ginecológica da Universidade de Palermo e, posteriormente, libero docente em Clínica Obstétrica e Ginecológica. A partir de 1983, assumiu na ASL 6 o cargo de primário da Divisão de gravidez de alto risco, papel em que orientou com serenidade equipes e famílias em momentos delicados — como um farol numa neblina súbita.
Nos anos 70, foi um dos pioneiros da chamada celioscopia, contribuindo decisivamente para o desenvolvimento da primeira cirurgia por laparoscopia. Essa etapa da sua carreira marcou uma mudança de ritmo na prática cirúrgica: menos invasiva, mais rápida a recuperar, uma colheita de técnicas que trouxe nova vitalidade ao cuidado feminino.
Autor de inúmeras publicações científicas e monografias, o professor Rossi realizou milhares de intervenções obstétricas e ginecológicas, sem jamais perder de vista a pessoa para além do diagnóstico. Homem discreto, guiado por um grande sentido do dever, ele encarnou uma medicina baseada na competência, na responsabilidade e no respeito à paciente como ser humano íntegro.
O legado do professor Tullio Rossi não se conta apenas em números ou em títulos: está vivo nos ensinamentos transmitidos, no modo como formou estudantes, especialistas e enfermeiras obstétricas, e na cultura de cuidado que permaneceu nas paredes da clínica. Quem trabalhou com ele guarda lembranças de rigor, paciência e uma atenção quase artesanal ao detalhe — como quem colhe um fruto somente quando está no ponto perfeito.
Em tempos em que a cidade respira mudanças e as estações anunciam novos ciclos, a memória de Rossi nos lembra que a medicina é também um território humano, tecido de encontros, escuta e responsabilidade. Seu exemplo seguirá guiando gerações, mantendo acesa a raiz do bem-estar que ele tanto cultivou.
— Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia





















