Por Alessandro Vittorio Romano — Em um cenário onde cada sintoma é como uma folha que anuncia a estação, a mielofibrose traz consigo o desafio silencioso da anemia. Em encontro com a imprensa em Milão promovido pela Gsk, a professora associada Elena Rossi, responsável pelo Day Hospital de Ematologia do Policlinico Gemelli em Roma, destacou que o medicamento momelotinib tem justamente o objetivo primordial de enfrentar esse aspecto da doença.
Segundo Rossi, a capacidade de atuar cedo sobre a queda da hemoglobina significa evitar que o paciente chegue ao território árido da dependência de transfusões. “Intercettare precocemente“, afirmou, permite tratar antes e alcançar resultados melhores — uma imagem que traduz a ideia de colher no tempo certo para preservar a safra. Na prática clínica, isso quer dizer reduzir o impacto negativo dos níveis muito baixos de hemoglobina, que na mielofibrose comprometem tanto a energia do corpo quanto a qualidade de vida.
O papel do momelotinib, explicou Rossi, é intervir nesse ponto sensível do percurso da doença. Ao mitigar a anemia associada, abre-se espaço para que o paciente mantenha maior autonomia e resistência, evitando as complicações que surgem quando a transfusão se torna a única alternativa. É uma estratégia de cuidado que reconhece o tempo interno do corpo e busca intervir antes que a paisagem clínica se deteriore.
O encontro organizado pela Gsk em Milão reuniu especialistas para discutir novas terapias para a mielofibrose, com atenção particular à anergia hemática que frequentemente acompanha esse quadro. Rossi representou uma voz clínica que observa o paciente como um todo: não apenas os números laboratoriais, mas a respiração da cidade interna do corpo, os ritmos cotidianos e a possibilidade de preservar hábitos e bem-estar.
Na prática, a introdução de terapias como o momelotinib reflete uma mudança de panorama — da assistência reativa para uma atitude mais preventiva e personalizada. Como quem antecipa a poda para garantir saúde às raízes, o tratamento precoce pode reduzir a necessidade de intervenções mais invasivas e melhorar perspectivas a médio prazo.
Para quem convive com a mielofibrose ou acompanha pacientes, a mensagem de Rossi é clara e serena: observar cedo, agir com sensibilidade e priorizar soluções que preservem qualidade de vida. A anemia não é apenas um número; é a sombra que altera o dia a dia. Interceptá-la é devolver luz aos pequenos gestos — a caminhada, a conversa, o café partilhado — que fazem a vida humana tão italiana em sua intimidade.
Evento: encontro com a imprensa promovido pela Gsk em Milão. Fonte: declaração de Elena Rossi, Professora Associada de Ematologia, Università Cattolica del Sacro Cuore, e responsável pelo Day Hospital Ematologia do Policlinico Gemelli, Roma.






















