Por Alessandro Vittorio Romano — No compasso das estações, quando as paisagens mudam e o corpo reencontra seu próprio ritmo, chega também a hora de celebrar avanços que restauram vidas. Aos cerca de 50 anos, um homem que aguardava por um novo órgão — na verdade dois — viveu essa renovação: graças a um transplante combinado de rim-pâncreas realizado exclusivamente com um robô cirúrgico, ele foi libertado do diabetes e da diálise.
O procedimento ocorreu no Hospital Niguarda, em Milão, e marca um marco: segundo a instituição, é a primeira vez na Itália que ambos os órgãos foram implantados unicamente por técnica robótica. A cirurgia aconteceu no dia 10 de dezembro de 2025 e permitiu ao paciente retomar uma vida ativa sem insulina e sem a dependência da máquina de diálise.
Os benefícios do método surgem como sinais claros na pele e no tempo de recuperação — cicatrizes de poucos milímetros, estadia hospitalar reduzida e menor incidência de efeitos adversos. Mas o impacto mais profundo é o reequilíbrio interno: o fim do regime contínuo de insulina e o alívio das rotinas de terapia renal substitutiva, pequenas colheitas de bem-estar que transformam o cotidiano.
“Os transplantes de órgãos sólidos são intervenções de alta complexidade por vários motivos: as condições dos receptores, a natureza invasiva de muitas manobras cirúrgicas e a extrema dificuldade nas fases de implantação e reconstrução dos novos órgãos”, explicou o cirurgião Stefano Di Sandro, recém-nomeado diretor da Cirurgia Hepática e dos Transplantes de fígado e rim do Niguarda. Para enfrentar esses desafios, a equipa optou por realizar todas as etapas do transplante combinado com técnica robótica.
O transplante de pâncreas costuma apresentar um risco vascular mais elevado que outros órgãos, o que torna cada fase crítica. Anteriormente havia sido realizado, em Pisa, um procedimento semelhante em abordagem híbrida — mesclando robô e técnicas tradicionais —, mas o caso do Niguarda representa, segundo os responsáveis, o primeiro com abordagem puramente robótica no país.
A preparação e execução do transplante foram fruto de uma sinergia meticulosa entre dezenas de profissionais. Além de Di Sandro, estiveram à frente do projeto Enrico Minetti, diretor da Nefrologia; Federico Bertuzzi, diretor da Diabetologia; e Gianpaola Monti, diretora da Anestesia e Rianimazione 2. O staff técnico e de enfermagem acompanhou cada passo da cirurgia e da convalescença, garantindo cuidado contínuo ao paciente.
O resultado clínico já se mostrou promissor: os novos órgãos funcionam adequadamente e o paciente teve alta hospitalar. Em termos práticos, isso significa não apenas a suspensão da insulina e da diálise, mas a reabertura de um ritmo de vida mais natural — como um outono que suavemente cede lugar a uma primavera interior.
Este avanço ilustra como a tecnologia, quando orquestrada por uma equipa humana sensível e experiente, pode reduzir agressões ao corpo e promover recuperações mais delicadas. É também um lembrete de que os ritmos da medicina evoluem: a precisão do robô permite atitudes menos invasivas, e a cooperação entre especialidades transforma complexidade em possibilidade.
Nos corredores do Niguarda fica a imagem de um esforço coletivo que deu frutos — a cura parcial de uma história marcada pelo diabetes e pela insuficiência renal crônica. E para o paciente, a liberdade recém-conquistada tem o gosto sereno de quem reencontra, aos poucos, o seu tempo interno.






















