Por Alessandro Vittorio Romano — No Hospital Pediátrico Meyer, em Florença, realizou-se um procedimento que parece pertencente ao encontro entre precisão tecnológica e cuidado humano: uma cisto sublingual de grande dimensão foi removida de uma jovem de 17 anos por meio de cirurgia robótica, evitando incisões externas ou intervenções que teriam demolido estruturas ósseas.
A lesão encontrava-se na região mais profunda da língua, provocando à paciente sinais claros de sofrimento funcional — entre eles, uma prolongada disfagia (dificuldade de deglutição) e alteração no timbre da voz. Em vez de seguir pelas vias tradicionais, mais invasivas e com maior impacto estético e funcional, a equipe optou por uma técnica transoral robótica — a cirurgia transoral robótica (TORS) — empregando o sistema Da Vinci Xi. Essa combinação permitiu o acesso por via oral e a excisão completa do cisto com instrumentais finos e visão tridimensional de alta definição.
O procedimento foi conduzido por um time multidisciplinar, coordenado pelo Dr. Riccardo Coletta, referência clínica e científica da cirurgia robótica pediátrica do AOU Meyer IRCCS, com a participação dos otorrinolaringologistas Luca Leone e Marella Reale. A união de especialidades e a sincronia entre mãos humanas e tecnologia definem o que hoje chamamos de cuidado contemporâneo: um gesto cirúrgico preciso, quase como a poda delicada que preserva a árvore, removendo apenas o que é necessário para que o organismo volte a respirar e a cantar.
Do ponto de vista prático, a abordagem robótica evitou alternativas mais agressivas, como a osteotomia mandibular ou amplas incisões externas. Em linguagem sensorial, foi possível alcançar as raízes do problema através da «respiração interna» da boca, trabalhando nas camadas profundas com instrumentos que, guiados por olhos humanos aprimorados pela tecnologia, devolveram à paciente a função e a estética sem cicatrizes visíveis.
Este caso no Meyer é um exemplo de como a medicina contemporânea pode integrar inovação e sensibilidade: o robô não substitui o toque humano, mas amplia sua capacidade, permitindo intervenções que respeitem o corpo como uma paisagem a ser cuidada. Para a jovem paciente significa voltar a engolir sem medo e a modular a voz com naturalidade — um reencontro com os pequenos gestos do dia a dia que moldam a qualidade de vida.
Enquanto observador atento ao entrelaçar do ambiente e do bem-estar humano, vejo nessa operação uma colheita de hábitos e possibilidades: tecnologias que preservam raízes, equipes que cuidam como jardineiros da saúde, e pacientes que reencontram o ritmo do cotidiano. O pioneirismo do Meyer, registrado nesta intervenção, desenha um caminho que outras equipes pediátricas poderão seguir, ampliando a confiança em procedimentos menos invasivos que respeitam tanto a função quanto a forma.






















