Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma reação que soa como um suspiro da paisagem humana da saúde, os sindicatos dos médicos de família e especialistas reagiram com rabbia e decepção ao recente documento de propostas aprovado pela Conferência das Regioni. Para a Fimmg, a Fimp e a Sumai, o texto que pretende reforçar a atratividade do Serviço Sanitario Nazionale e conter a fuga de profissionais ao privado e ao exterior simplesmente ignora a medicina convenzionada.
Segundo os representantes nacionais — Silvestro Scotti, Antonio D’Avino e Antonio Magi — não é que os objetivos do documento não sejam legítimos, mas surpreende e entristece que não haja uma proposta específica, nem mesmo uma menção, aos médicos convenzionati, como se esse pilar da assistência territorial não partilhasse os mesmos problemas de abandono, perda de atratividade e descompasso entre entradas e aposentadorias.
Os líderes sindicais lembram que investir nos médicos convenzionati com os mesmos termos previstos para o pessoal dipendente seria prioritário. Esses profissionais, enfatizam, suportam em primeira pessoa todas as despesas da atividade profissional. Sem um investimento extraordinário e específico para quem atua em convenzione, qualquer estratégia ampla corre o risco de não incidir de modo real sobre a qualidade e a sustentabilidade do sistema.
Na voz desses representantes ecoa uma preocupação prática e uma imagem cotidiana: a saúde pública italiana respira pelo território, onde se encontram as primeiras respostas para uma população que envelhece e carrega uma colheita crescente de cronicidade e fragilidade. Reforçar a atenção primária equivale a aliviar hospitais e pronto-socorro, garantir continuidade assistencial e reduzir desigualdades de acesso.
As reivindicações são claras e já antigas: defiscalização do rendimento dos convencionados alinhada a objetivos estratégicos do Ssn; revisão da quota capitaria e da quota orária para que reflitam os reais encargos assistenciais e as novas funções requeridas — incluindo evolução tecnológica e trabalho interprofissional; e recursos dedicados, adicionais e não subtraídos de outros compartimentos do sistema.
Os sindicatos pedem ainda que a medicina convenzionata seja tratada como «pares inter pares» do serviço público, com reconhecimento e investimentos que permitam competir com outras formas de exercício profissional e conter a emigração de competências. Sem isso, alertam, as raízes do bem-estar coletivo ficam mais fracas, e o mais vulnerável na paisagem social será quem mais precisa de continuidade e proximidade assistencial.
É uma convocação à reflexão: ao percorrer as ruas de uma cidade, vemos o ritmo da saúde como a respiração da comunidade — suave quando o território está forte, arfante quando lhe faltam recursos. A mensagem dos médicos convenzionati é um pedido para que a próxima safra de políticas públicas colha estabilidade, reconhecimento e investimento real.
Fimmg, Fimp e Sumai esperam agora que a Conferência delle Regioni reabra o diálogo e integre no documento medidas específicas para a medicina convenzionada, traduzindo a urgência das necessidades em ações concretas.






















