Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma paisagem em que corpo e cidade respiram juntos, surge um dado que pede atenção: desde o diagnóstico, entre 30% e 40% dos pacientes oncológicos apresentam sinais de malnutrição por deficiência. Essa conclusão foi destacada por Riccardo Caccialanza, diretor da Sc di Dietetica e Nutrizione Clinica da Fondazione Irccs Policlinico San Matteo di Pavia e professor do departamento de Oncologia da Università degli Studi di Milano, durante um evento em Roma em alusão ao Dia Mundial contra o Câncer.
Como quem observa uma colheita que antecipa o tempo, Caccialanza explicou que a introdução de suplementos nutricionais orais nos percursos de cuidado transforma tanto a experiência do paciente quanto a economia da assistência. “Os suplementos permitem ao paciente enfrentar as terapias com menos complicações cirúrgicas e relacionadas aos tratamentos sistêmicos. Além disso, reduzem os tempos de internação e a frequência de hospitalizações”, disse o especialista.
Na prática, a respiração dessa mudança clínica traduz-se em benefícios concretos: pacientes que recebem suporte nutricional conseguem tolerar melhor as doses máximas previstas por oncologistas e radioterapeutas, permanecendo mais estáveis e com maior qualidade de vida. Isso permite um retorno mais suave aos laços sociais e ao cuidado em casa pelos seus caregivers, diminuindo a necessidade de reinternações.
Do ponto de vista do sistema, os números são igualmente relevantes. Segundo Caccialanza, a adoção sistemática da suplementação e do suporte nutricional pode gerar uma economia estimada entre 9% e 12% dos custos totais do sistema de saúde, o que se traduz em centenas de milhões de euros poupados. É uma economia que nasce da prevenção: menos complicações, menos dias de hospital, menos procedimentos emergenciais.
O convite do especialista foi claro e direto como a luz de uma manhã italiana: é preciso que a triagem nutricional seja feita em todos os pacientes oncológicos, independentemente da fase da doença. E que existam caminhos claros de apoio nutricional, com a garantia de que a suplementação oral seja oferecida gratuitamente quando indicada. “Além dos benefícios clínicos e da qualidade de vida, nossos dados mostram economias robustas para o sistema nacional de saúde”, reforçou Caccialanza.
Como observador atento do cotidiano, gosto de pensar que o cuidado nutricional é uma espécie de jardinagem do bem-estar: ao nutrir o corpo, cultivamos a resistência para atravessar tempestades terapêuticas e permitimos que o paciente floresça onde puder — seja no hospital, seja no aconchego do lar. A mensagem é simples e urgente: integrar a nutrição ao plano oncológico não é luxo, é cuidado essencial e inteligente, que traz ganhos humanos e econômicos.






















