Por Alessandro Vittorio Romano — Durante o encontro realizado no Senado da República, por ocasião da Giornata mondiale contro il cancro, Francesco De Lorenzo, presidente da Federação italiana das associações de voluntariado em oncologia (Favo), lançou um alerta claro e urgente: é essencial verificar desde o primeiro momento se o paciente oncológico sofre de malnutrição. Segundo De Lorenzo, a malnutrição já está presente em cerca de 50-60% dos casos ao diagnóstico.
Essa constatação não é apenas um número. É um sinal de como o corpo reage ao diagnóstico e ao próprio processo da doença — uma espécie de tempo interno do corpo que se altera e pede cuidados. Quando a desnutrição acompanha o câncer, os riscos aumentam: tratamentos podem perder eficácia, a recuperação torna-se mais lenta e o bem-estar geral do paciente fica comprometido.
De Lorenzo destacou que, quando identificada a malnutrição, é indispensável intervir com medidas adequadas, garantindo a nutrição médica que permita ao paciente receber o tratamento correto e com maior segurança. Em outras palavras, a nutrição deixada de lado pode comprometer todo o percurso terapêutico; tratá-la é tão importante quanto planejar a quimioterapia, a radioterapia ou a cirurgia.
O encontro no Senado, dedicado ao valor da nutrição médica especializada em oncologia, colocou em evidência a necessidade de integrar avaliações nutricionais no protocolo de acolhimento do paciente. A nutrição especializada não é um acessório, mas uma ponte que liga a condição clínica à possibilidade de um tratamento mais efetivo e a uma melhora na qualidade de vida.
Como observador atento do cotidiano e dos ritmos que moldam o bem-estar, vejo essa recomendação como parte de uma colheita de hábitos que devemos cultivar desde a primeira consulta: medir não apenas o tumor, mas também o peso, a ingestão alimentar, os sinais de fraqueza e as reservas do organismo. É a respiração da cidade traduzida no corpo — pequenas avaliações que, somadas, definem trajetórias de cura.
Práticas simples, como triagens nutricionais sistemáticas no diagnóstico, planos personalizados de suporte nutricional e o envolvimento de equipes multidisciplinares, podem reduzir complicações e melhorar a tolerância aos tratamentos. O chamamento de De Lorenzo reforça que investir em nutrição médica especializada é investir na eficácia do tratamento e na dignidade do cuidado.
Em síntese, a mensagem é serena, porém firme: ao descobrir um câncer, não se deve deixar de verificar a presença de malnutrição — porque, muitas vezes, é na raiz do corpo que se decide o caminho do tratamento. E intervir cedo é permitir que o paciente siga com mais força e esperança no seu percurso de cura.






















