Diana Bracco, presidente e CEO do grupo Bracco, lançou um apelo sensível e urgente: é preciso levar mais mulheres para as disciplinas STEM para que possam orientar o desenvolvimento da IA na saúde. Em um videomensagem enviada à Sociedade Italiana de Radiologia Médica e Intervencionista (SIRM), Bracco saudou o encontro realizado no Centro Diagnóstico Italiano (CDI), em Milão, organizado em colaboração com a Fundação Bracco na ocasião do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.
Com a leveza de quem testemunha as estações e a firmeza de quem planta raízes no futuro, Bracco lembrou iniciativas da Fundação Bracco que miram transformar a paisagem social: o Manifesto Mind the Stem Gap, direcionado a escolas, famílias e jovens, cujo objetivo é combater estereótipos que tolhem os caminhos femininos nas áreas científicas; e a exposição Una vita da scienziata – I volti del progetto #100esperte, uma série de retratos do fotógrafo Gérald Bruneau que humaniza e celebra o rosto feminino da pesquisa.
A mostra, explicou Bracco, viajou por várias cidades do mundo — Washington, Philadelphia, Chicago, Los Angeles, Nova York, Cidade do México, Praga, Haifa, Cidade do Panamá e Costa Rica — e foi recentemente acolhida na Galleria dei Busti da Câmara dos Deputados, com previsão de chegada ao Senado. São imagens que, como um jardim bem cuidado, ajudam a cultivar a curiosidade pública e a ver a ciência como beleza, acessibilidade e até entretenimento.
“Precisamos do seu olhar crítico, da sua capacidade de conjugar inovação e responsabilidade”, afirmou Bracco. A sua convicção é concreta: sem a participação plena das mulheres, a ciência perde inteligência, profundidade e visão — um desperdício intolerável num momento em que vivemos uma transformação tecnológica sem precedentes, cuja ponta de lança é a inteligência artificial.
No campo da medicina e das Life Sciences, a IA abre portas extraordinárias, permitindo reconhecer padrões que escapam à observação humana e transformar enormes volumes de dados em informações úteis para a prevenção, o diagnóstico precoce e a personalização dos tratamentos. Bracco destacou uma mudança crucial na área de diagnóstico: as imagens deixam de ser apenas representações visuais para se tornarem fontes de informação quantitativa. É como se o corpo da cidade, através de imagens, começasse a sussurrar dados que ajudam a salvar vidas.
Ao oferecer ferramentas mais confiáveis, a IA auxilia profissionais de saúde em decisões que tocam profundamente a vida das pessoas. No entanto, essa nova paisagem tecnológica exige diversidade de olhares e responsabilidade ética — e é aqui que a presença feminina se mostra indispensável, trazendo equilíbrio entre inovação e cuidado.
Como observador atento das estações do bem-estar, concluo que sem a colheita variada de talentos — entre os quais as mulheres nas STEM — a futura primavera da saúde digital pode florescer de forma desigual. A proposta de Bracco é simples e urgente: sem pluralidade, a tecnologia vira espelho de poucas vozes; com pluralidade, torna-se instrumento de cuidado para todos.



















