A Itália registrou o nascimento de mais de 17 mil crianças graças às técnicas de fertilização assistida — um mapa humano que revela tanto avanços clínicos quanto mudanças nos ritmos da vida reprodutiva. O Relatório ao Parlamento sobre a PMA 2025, que avalia a aplicação da Lei 40 de 2004, mostra um crescimento nas casais tratadas, nos ciclos realizados e nos nascimentos atribuídos à procriação medicamente assistida.
Os números são claros como a luz no início da manhã: as casais tratados passaram de 87.192 para 89.870; os ciclos realizados aumentaram de 109.755 para 112.804; e as crianças nascidas através desses tratamentos subiram de 16.718 para 17.235. São dados que contam uma colheita de esperança, regada por tecnologias que se afinam com a sensibilidade do tempo humano.
Uma mudança relevante é a redução no número de embriões transferidos por ciclo, que trouxe como consequência uma queda nas taxas de partos múltiplos — tanto gêmeos quanto trigêmeos diminuíram. Os trigêmeos, aliás, alinham-se agora com a média europeia, embora persista uma variabilidade significativa entre centros, como se diferentes jardins produzissem flores com ritmos próprios.
Outra boa notícia é a diminuição da proporção de resultados negativos nas gestações monitoradas por fertilização in vitro, tanto em técnicas a fresco quanto com material descongelado. Isso sinaliza refinamentos técnicos e práticas clínicas que respeitam o delicado ritmo do tempo interno do corpo.
Permanece, porém, uma característica marcante: a elevada idade média das mulheres submetidas a técnicas com gametas do parceiro. No caso dos ciclos a fresco com gametas do casal, a média é de 36,7 anos — acima da média europeia, situada em 35 anos. Quando se trata de fertilização com óvulos doados, a idade média salta para 41,8 anos; e para ciclos com sêmen doado, a média é de 34,5 anos. Esses números falam de escolhas, de carreiras, de esperança, e de um relógio biológico que pede atenção.
Ao percorrer esse cenário, lembro que a fertilidade coletiva é também um retrato social: as demandas por PMA crescem como a respiração de uma cidade que muda estação, e os centros de reprodução são agora jardins onde se cultivam possibilidades. Reduzir embriões transferidos é como podar com cuidado, buscando frutos mais seguros e duradouros.
Como observador que liga saúde, clima e estilo de vida, percebo aqui uma interseção entre política pública, tecnologia e as escolhas íntimas das pessoas. A Lei 40, vigente desde 2004, continua a moldar práticas e resultados, enquanto profissionais, pacientes e pesquisadoras caminham num terreno de constante renovação.
Em resumo: mais de 17 mil bebês nasceram por técnicas de fertilização assistida em 2023, com aumento de casais e ciclos tratados, redução de embriões transferidos e queda em nascimentos múltiplos — sinais de uma prática que afina segurança e eficácia sem perder a ternura do gestar.






















