Lombardia avança numa iniciativa que parece saída de um mapa do bem-estar: uma espécie de patente por pontos ligada à tessera sanitaria, pensada para incentivar os corretos estilos de vida. O ensaio prático começará na província de Pavia e envolverá um painel de 3 mil pessoas elegíveis para o rastreamento do câncer colorretal.
Apresentado à margem de um encontro na Triennale de Milão, o projeto foi comentado por Guido Bertolaso, assessor de Welfare da Região. Segundo ele, trata-se de “um projeto único na Itália” que busca premiar quem participa dos programas de screening, transformando a prevenção em um pequeno ciclo virtuoso: quem faz o exame recebe incentivos pensados para fortalecer a informação sobre hábitos saudáveis e estimular iniciativas culturais e esportivas.
Imagino essa medida como uma estação nova no calendário da saúde pública: um convite para sincronizar “o tempo interno do corpo” com a respiração coletiva da cidade. Ao oferecer recompensas por adesão ao screening, a iniciativa quer atravessar resistências e pôr em movimento uma verdadeira colheita de hábitos, lembrando que a prevenção não é só um ato clínico, mas um gesto social.
O foco do ensaio será o público que tem direito ao rastreamento gratuito do tumore al colon-retto, uma doença que aparece com frequência tanto em homens quanto em mulheres. Hoje, segundo representantes regionais, apenas metade daqueles que teriam direito aos exames participa regularmente: um terreno fértil para políticas que ligam incentivo e educação em saúde.
O projeto foi também associado a uma iniciativa da Federação dos oncologistas, cardiologistas e hematologistas (FOCE), que busca promover práticas de vida saudáveis como parte integrante das estratégias de prevenção. A ideia é que os incentivos não fiquem restritos a descontos pontuais, mas se traduzam em um estímulo contínuo a atividades físicas, programas culturais e informação acessível — formas de manter o corpo e a mente alinhados com os ritmos sazonais do bem-estar.
Como observador atento das relações entre ambiente e qualidade de vida, vejo nesta patente um gesto que tenta transformar a rotina em cuidado: pequenos reconhecimentos que comprometem tanto as instituições quanto o indivíduo com a manutenção da saúde coletiva. Testar a medida em 3 mil pessoas em Pavia permitirá avaliar se os pontos conseguem virar hábito, e se a “respiração da comunidade” se ajusta a um novo compasso preventivo.
Resta acompanhar como serão estruturados os incentivos, que tipo de atividades serão valorizadas e de que forma a tessera por pontos dialogará com os serviços de saúde locais. Se o objetivo é ampliar a participação nos rastreamentos e cultivar estilos de vida que reduzam riscos, então esta patente será, ao menos por ora, uma experiência a observar com curiosidade sensível: um pequeno experimento que pode florescer em políticas maiores.
Alessandro Vittorio Romano para Espresso Italia






















