Por Alessandro Vittorio Romano — Em um gesto que mistura ciência, esporte e poesia urbana, a Lilly inaugurou em Milão duas instalações imersivas que conversam com a cidade e com o corpo. À sombra da preparação para os Jogos, a farmacêutica traz à praça uma narrativa que busca transformar a percepção pública sobre obesidade, inclusão e bem-estar.
Na visão do CEO da Lilly Italy Hub, Elias Khalil, existe uma afinidade natural entre a missão da empresa e o espírito dos jogos: “Tra Lilly e Milano-Cortina 2026 esiste una missione condivisa: promuovere un mondo sostenibile, più equo e inclusivo, sia nello sport sia nella salute”, disse ele na inauguração. Com 150 anos de história, a Lilly reivindica para si o papel de quem transforma avanços científicos em terapias que permitam às pessoas viver com mais qualidade.
A primeira intervenção, o Fan Village, foi montada na Piazza del Cannone como um iglu simbólico. Dentro dele, o visitante encontra episódios da trajetória da empresa, momentos em que a ciência virou cuidado, e um convite silencioso para seguir avançando na busca por soluções para necessidades de pacientes ainda não atendidas. É um espaço que respira história e promessa, como se a cidade oferecesse seu próprio fôlego para a jornada da cura.
A segunda peça é a quinta etapa do projeto The Impossible Gym, que, depois de passar por Roma, Shanghai e Málaga, desembarca em Milão em sua edição de inverno. Essa instalação não é uma academia convencional: apresenta equipamentos que não podem ser usados para treinar, uma metáfora física para aquilo que milhões de pessoas enfrentam diariamente. O design mostra, com delicadeza e força, que a luta contra a obesidade é uma batalha complexa, marcada por recaídas e por barreiras biológicas que não se vencem apenas com vontade.
‘Queremos treinar a consciência dos cidadãos sobre a obesidade e as formas de enfrentá-la’, afirma Khalil, lembrando que tanto no esporte quanto na saúde não existe desempenho sem determinação e sem a capacidade de superar limites — mas também que é preciso reconhecer quando o corpo resiste, quando a terra é dura e exige outras ferramentas.
Como observador atento do cotidiano, vejo essas iniciativas como sementes em terreno público: promoverem diálogo, empatia e inclusão. Ao interligar ciência e experiência sensorial, a Lilly propõe que a cidade se torne um laboratório de compreensão, onde a respiração da população encontra, lentamente, soluções mais humanas e sustentáveis.
Para os que circulam por Milão neste período, as instalações são um convite a caminhar e refletir — uma pequena colheita de hábitos que pode florescer em mudanças coletivas. Em tempos que antecedem os grandes eventos esportivos, a mensagem é clara e necessária: saúde e esporte devem caminhar juntos para um mundo mais justo e inclusivo.






















