Por Alessandro Vittorio Romano — A pouca luz de uma sala onde nascem gestos de cuidado lembra a primeira aurora após uma noite longa; é essa sensação de renascimento que tantas vezes descrevo quando observo iniciativas que tocam o corpo e a alma. Em torno da Giornata Mondiale contro il Cancro (4 de fevereiro), ganha destaque mais uma vez o impacto dos laboratórios de beleza para mulheres em tratamento oncológico, promovidos em Italia por La Forza e il Sorriso Ets.
Os dados recolhidos em 2025, a partir de questionários preenchidos por mais de 1.000 participantes, traçam um quadro claro: 97,8% das mulheres afirmaram que o laboratório foi muito útil para valorizar a sua imagem, enquanto 77,6% disseram ter adquirido muita ou muitíssima confiança em si mesmas. O encontro entre pares, essa partilha onde cada rosto é uma paisagem de histórias, foi apreciado por 94,8% das participantes, e 99,1% consideraram o momento útil para enfrentar melhor a doença e as terapias. Em resumo, 98,5% mostraram-se muito satisfeitas com a experiência.
Desde 2007, a versão italiana do programa internacional Look Good, Feel Better — organizada por La Forza e il Sorriso Ets e patrocinada por Cosmetica Italia (parte de Federchimica) — realizou aproximadamente 5.900 oficinas gratuitas, apoiando cerca de 25.500 mulheres em tratamento oncológico. Números que parecem colheitas recolhidas ao longo de estações, cada uma com sua colheita de pequenas certezas devolvidas.
O valor desses laboratórios ultrapassa a estética: é uma reconexão com o próprio espelho íntimo, um convite a respirar com mais leveza. Em termos práticos, as sessões combinam técnicas de cuidado da pele, sugestões de maquiagem adaptadas às mudanças provocadas pelas terapias e orientações sobre lenços e acessórios que ajudam a restabelecer identidade e conforto.
Como alguém que observa o cotidiano italiano e o entrelaça com o bem-estar, vejo nessa prática o encontro entre a cidade e o corpo, a respiração da comunidade que dá suporte. Não se trata de um remédio no sentido farmacêutico, mas de uma terapia complementar que trabalha no tempo interno do corpo: a autoestima e a confiança florescem como jardins cuidados após a poda.
Para as mulheres que participam, o benefício é duplo: técnicas úteis para o dia a dia e a sensação, quase tangível, de não estar sozinha. A partilha abre espaços de escuta e empatia que, muitas vezes, se tornam tão reconfortantes quanto um gesto médico bem feito. Essa rede de apoio — feita de espelhos, sorrisos e mãos que ensinam — ajuda a transformar o desafio da doença em um caminho de dignidade e cuidado.
Enquanto o mundo se prepara para lembrar a luta contra o câncer no dia 4 de fevereiro, iniciativas como estas nos lembram que a cura também passa pela tutela da imagem e do coração. A proposta de La Forza e il Sorriso reafirma que, em cada encontro, se pode semear confiança: uma colheita que alimenta o corpo e o espírito.





















