Por Alessandro Vittorio Romano — Em vez da pressa da “prova traje de banho”, quem leva os italianos ao consultório é a vontade de recomeçar. Dados da plataforma iDoctors — hoje com tecnologia Ai-based para agendamento online de consultas e exames — mostram que os picos de procura por nutricionista e consultas dietológicas acontecem nos momentos de reinício: janeiro e setembro.
Na análise referente a 2025, comparada com a média anual de marcações de consultas dietológicas e nutricionais, os maiores aumentos foram observados em janeiro (+26%) e setembro (+24%). São meses simbólicos do “despertar da paisagem” pessoal: o início do ano e a retomada após a pausa estiva, quando a colheita de hábitos costuma ser reavaliada.
Esse padrão parece ainda mais forte em 2026: projeções para janeiro indicam um crescimento de +40% nas visitas ao nutricionista em comparação com a média mensal, reforçando que as boas resoluções de começo de ano têm papel central na decisão de iniciar um percurso dietológico.
Em contrapartida, os meses tradicionalmente associados à corrida do último minuto para “entrar em forma” mostram o efeito oposto. Junho registra queda de -24% e julho -22% nas marcações — sinais de que a pressa de verão raramente supera a motivação de um planejamento mais profundo. Dezembro, com as festas e a suspensão de rotinas, apresenta a baixa mais acentuada: -30%.
“Os dados revelam que as pessoas tendem a começar um percurso nutricional em fases de reinício, como janeiro ou setembro, porque nesses momentos há maior predisposição para reorganizar hábitos e estilo de vida, especialmente após pausas como festas ou férias. Não se trata apenas de emagrecimento, mas de buscar ordem e equilíbrio. O método ‘last minute’ para a prova de praia costuma ser pouco eficaz, pois falta motivação real e raramente gera mudanças duradouras”, afirma Fabiana Contri, uma entre os 12.000 médicos especialistas presentes na rede iDoctors.
Geograficamente, janeiro de 2026 destaca concentrações em algumas regiões-chave: o Lácio lidera com 27% das marcações, seguido pela Lombardia com 22% e a Emilia-Romagna com 9%. Ligúria, Toscana e Vêneto registram, cada uma, 7% das consultas — um mapa que reflete como a respiração das cidades e as suas rotinas influenciam a busca por bem-estar.
A distribuição por faixas etárias em janeiro espelha o comportamento anual: predominam os 45–54 anos (27%), seguidos por 55–64 anos (23%) e 35–44 anos (16%). Jovens adultos entre 25–34 anos representam 11% e os menores de 25 têm 8%. Os maiores de 65 correspondem a 15% do total, sendo 12% entre 65–74 anos e 3% acima de 75 anos. “A preponderância da faixa 45–54 anos — observa Contri — reflete a necessidade de reorganizar o tempo interno do corpo e da vida profissional, buscando equilíbrio e saúde sustentada.”
Como guia sensível do cotidiano, eu vejo essa tendência como uma espécie de semeadura anual: em janeiro plantamos intenções, em setembro cultivamos rotinas. A procura por um nutricionista não é mera vaidade sazonal, mas a vontade de redesenhar o dia a dia, reorganizar a mesa e, por fim, colher hábitos que nutram corpo e mente ao longo das estações.





















