Por Alessandro Vittorio Romano – Espresso Italia
Um novo relatório do Grupo de trabalho sobre equidade e saúde nas Regiões, do Istituto Superiore di Sanità, desenha um retrato preocupante da saúde mental na Itália: a oferta de leitos psiquiátricos para internações agudas está entre as mais baixas do mundo, com 0,1 leito por 1.000 habitantes, frente à média da OCDE de 0,64 por 1.000.
Além desse indicador, o documento destaca uma escassez de pessoal relevante – cerca de 30% inferior aos padrões definidos pela Agenas – e investimentos por habitante que estão entre os mais baixos da Europa. O resultado é uma paisagem fragmentada, onde a disponibilidade e a qualidade dos serviços variam muito entre as Regiões.
Os dados também mostram uma tendência: desde 2020 as altas hospitalares de pacientes dos serviços psiquiátricos diminuíram, e no último bieno esse total caiu 14% em comparação ao período 2015–2019. Os autores do relatório observaram uma correlação direta entre a existência de leitos hospitalares e a taxa de altas, sugerindo que o ritmo de hospitalização é, em larga medida, função da própria oferta de leitos.
No mapa regional, as Regiões do Sul, a Sardenha e boa parte do Centro exibem, ao longo do tempo, valores de disponibilidade de leitos e serviços mais baixos que o Norte (com a exceção do Friuli-Venezia Giulia). Essa desigualdade reflete, em parte, a “respiração desigual” do sistema de saúde italiano: em algumas áreas a rede comunitária e os serviços ambulatoriais tentam preencher vazios; em outras, o frio estrutural cria um inverno da assistência.
Do ponto de vista humano, esses números não são apenas estatística: eles contam a história de comunidades com menos portas de entrada para cuidados intensivos quando a mente entra em crise. A falta de investimentos per capita e de profissionais qualificados transforma o cuidado em um mosaico desigual, onde a trajetória do paciente depende, muitas vezes, do código postal.
O relatório não se limita à constatação: ao iluminar os pontos fracos — disponibilidade de leitos, carência de pessoal, investimentos reduzidos e fortes disparidades regionais —, ele aciona um convite à reflexão política. Reequilibrar a oferta significa semear estruturas que acolham nos tempos de emergência e acompanhem depois, como uma paisagem que recupera sua vegetação após a queima.
Para o observador atento, há aqui uma lição sobre ciclos e cuidados: assim como a cidade respira com ritmos que mudam a cada estação, o sistema de saúde mental precisa de raízes — profissionais, leitos, recursos — para resistir ao inverno e florescer no despertar dos hábitos de bem-estar coletivo.
Em resumo, o retrato do Istituto Superiore di Sanità aponta que a Itália caminha com menos leitos e menos profissionais do que a média internacional, com investimentos que não acompanham as necessidades. Resta às autoridades, às comunidades e aos profissionais trabalhar como jardineiros de uma paisagem frágil: replantar recursos onde há erosão, e vigiar para que o sol do cuidado alcance todas as regiões.
Observação: dados e porcentagens referentes ao terceiro relatório do Grupo de trabalho sobre equidade e saúde nas Regiões do Istituto Superiore di Sanità.





















