ROMA, 04 de fevereiro de 2026 — Na esteira do Dia Mundial contra o Câncer, volta à tona uma estatística que nos chama à prática: foram estimados cerca de 390 mil novos casos de câncer na Itália em 2025, segundo o relatório “I numeri del cancro in Italia 2025” da AIOM (Associazione Italiana di Oncologia Medica). A mensagem, reforçada por Francesco Schittulli, presidente nacional da LILT (Lega Italiana per la Lotta contro i Tumori), é clara e urgente: a prevenção continua a ser decisiva.
Como observador atento das transformações que moldam nosso bem-estar, vejo nesses números mais do que estatística: vejo o terreno fértil onde se planta ou se omite o cuidado. Schittulli lembra que “na Itália se cura mais o câncer, mas continua-se a adoecer. Ainda assim, um em cada três tumores hoje poderia ser evitado” — um chamado que ressoa como a necessidade de uma colheita de hábitos mais saudável.
Os dados do relatório destacam um paradoxo que conhecemos bem: embora a mortalidade por câncer esteja em declínio e as taxas de sobrevida em cinco anos continuem a subir, o volume de novos diagnósticos permanece elevado. Parte desse progresso deve-se aos avanços científicos e terapêuticos, mas também ao impacto dos rastreios e da detecção precoce, que têm permitido salvar vidas e alongar histórias.
No entanto, a paisagem do país não é homogênea: persistem acentuadas desigualdades territoriais que afetam acesso a prevenção, diagnóstico e tratamento. É aqui que a política de saúde precisa respirar como uma cidade que se organiza, estendendo serviços e programas de promoção da saúde às raízes das comunidades.
O que isso significa para quem busca viver com qualidade, em sintonia com os ciclos do corpo e do ambiente? Significa retomar práticas concretas — alimentação equilibrada, atividade física regular, redução do tabagismo e do consumo nocivo de álcool — e fortalecer programas de prevenção primária e secundária. A prevenção não é apenas uma recomendação clínica: é uma atitude diária, a respiração lenta de uma cidade que cuida de seus cidadãos.
Especialistas e associações pedem que reduzir as novas diagnósticos seja uma prioridade de saúde pública nacional. Para que essa meta seja alcançada, é preciso unir ciência, políticas públicas e mudança cultural: campanhas de educação em saúde, ampliação dos rastreios e redução das barreiras regionais para que a melhora nas taxas de sobrevida não seja privilégio de um território, mas direito de todos.
Enquanto escrevo, a atmosfera italiana parece dividida entre o progresso e o desafio. Há avanços reais — tratamentos que transformam o curso da doença — e, ao mesmo tempo, um convite permanente à vigilância coletiva. Em vez de aceitar que os números apenas passem, podemos responder com escolhas que cultivem saúde: pequenas intervenções cotidianas que, ao longo do tempo, reduzem o peso do câncer na vida das pessoas.
Francesco Schittulli sintetiza bem essa urgência: a ciência salva vidas, mas a verdadeira virada depende da prevenção. É hora de semear políticas e hábitos que transformem as estatísticas em histórias de recuperação, equidade e bem-estar.






















