Por Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia
Em Roma, 15 de fevereiro de 2026 — A discussão sobre a intramoenia volta a aquecer-se como um vento de inverno que expõe as raízes: quando o cidadão não escolhe o atendimento privado, mas é compelido por uma espera interminável no público, quem deve pagar a conta? Para a Fnomceo, presidida por Filippo Anelli, a resposta é direta: o encargo deveria ser do Serviço Sanitário Nacional — o SSN.
Os primeiros dados de 2025 da Piattaforma nazionale sulle prestazioni, ativada junto à Agenas e antecipados pelo Il Sole 24 Ore, acendem o alerta: nos lugares onde as listas de espera mais apertam, o tempo de acesso ao atendimento encurta visivelmente para quem decide pagar por um serviço em intramoenia. Em outras palavras, onde o sistema público não dá vazão, o bolso faz sair da fila.
Em um vídeo que será exibido na edição de amanhã do Fnomceo Tg Sanità, Filippo Anelli afirma com clareza poética e pragmática: “Se a responsabilidade é do sistema, a fatura aos cidadãos deveria pagar o Serviço Sanitário Nacional“. Não é apenas um apelo retórico: a observação encontra ecos em relatórios de instituições de controle — a Corte dei Conti (Tribunal de Contas), o Ufficio parlamentare di Bilancio (Escritório Parlamentar de Orçamento) e a Ragioneria generale dello Stato (Contabilidade Geral do Estado) têm sinalizado que a responsabilidade organizativa e financeira não é somente clínica, mas estrutural.
O fenômeno não é só estatística; tem rosto e rotina. Para muitos italianos, as listas de espera viram um inverno prolongado do corpo e da mente: consultas que demoram, exames que se empilham, tratamentos adiados. A alternativa — recorrer ao intramoenia — transforma o cuidado em são uma colheita de escolhas individuais, onde só quem tem recursos consegue antecipar o tratamento. Anelli sugere, portanto, que o sistema assuma o custo quando falhar: um princípio de justiça que reconecta a saúde pública à sua missão fundadora.
Como observador do cotidiano e tradutor das estações do bem-estar, vejo nessa proposta a tentativa de restaurar um equilíbrio: não se trata apenas de pagar contas, mas de reencontrar o ritmo respiratório da cidade, onde o acesso à saúde não oscile conforme a espessura do bolso. Se o paciente é forçado pela demora, o tratamento passa a ser uma dívida social, não individual.
A iniciativa da Fnomceo promete animar o debate político e administrativo: abre-se aqui uma janela para revisitar financiamento, gestão e prioridades do SSN. À medida que os dados da plataforma nacional se desdobram, o país é convidado a escolher se continuará a transformar o acesso à saúde em uma paisagem desigual ou se recolherá as raízes de um sistema que cuide de todos.
Em suma, a proposta é simples e simbólica: quando o nó das listas de espera for responsabilidade do sistema, que o sistema pague — para que o inverno do atraso dê lugar a um despertar mais justo e saudável.






















