Por Alessandro Vittorio Romano — Uma nova semente foi plantada no solo da pesquisa neurológica italiana: o projeto MIND (Metabolic Insulin Resistance and Neurodegeneration) acaba de receber um financiamento significativo do Ministério da Universidade e da Pesquisa no âmbito do Fundo Italiano para a Ciência (FIS) 2024-2025, perto de 1,5 milhões de euros. Coordenado pelo professor associado de Neurologia Andrea Pilotto, da Universidade dos Estudos de Brescia, o estudo propõe uma abordagem que integra metabolismo e cérebro, como quem observa a respiração da cidade e entende que ritmo e ambiente se influenciam.
O núcleo do projeto volta-se para um tema que ganha cada vez mais atenção: a insulino-resistência enquanto fator potencialmente modificável na vulnerabilidade do cérebro aos processos de neurodegeneração. Em vez de encarar cada doença como uma ilha isolada, o MIND busca mapear as rotas metabólicas que dão pistas antecipadas de risco e testar intervenções direcionadas, com vistas a abrir caminhos para prevenção e medicina personalizada.
As atividades serão conduzidas no Brain Health Center da Clínica Neurológica, no Departamento de Ciências Clínicas e Experimentais da Universidade de Brescia, em colaboração com o Departamento de Continuidade de Cura e Fragilidade da ASST Spedali Civili di Brescia, dirigido pelo professor Alessandro Padovani. Esse arranjo institucional reúne saberes clínicos e experimentais, como raízes que se entrelaçam para fortalecer a árvore do conhecimento sobre saúde cerebral ao longo do envelhecimento.
O objetivo declarado é duplo: identificar marcadores precoces que possam sinalizar um aumento do risco de declínio cognitivo associado a alterações metabólicas e validar estratégias de intervenção que atuem diretamente sobre a insulino-resistência. Se comprovadas, essas estratégias poderão transformar a abordagem preventiva das doenças neurodegenerativas, deslocando o foco do tratamento tardio para a intervenção precoce e personalizada — uma verdadeira colheita de hábitos e saberes para proteger o cérebro.
Em termos práticos, o projeto MIND promete contribuir para o desenvolvimento de novos modelos de cuidado da saúde cerebral durante o envelhecimento, combinando exames clínicos, marcadores biológicos e possíveis intervenções terapêuticas. A ideia é construir um mapa mais fino da vulnerabilidade cerebral, capaz de orientar ações clínicas e políticas de saúde que priorizem a qualidade de vida ao envelhecer.
Para quem, como eu, observa a paisagem cotidiana e as estações da vida, esta iniciativa soa como um sopro de esperança: lembrar que o metabolismo do corpo e o tempo interno do cérebro conversam entre si é o primeiro passo para intervir com sensibilidade e eficácia. A pesquisa em Brescia não é apenas um conjunto de protocolos; é um convite a escutar as raízes do bem-estar e a cuidar do cérebro com a atenção que ele merece.
Ficaremos atentos aos primeiros resultados e às possíveis aplicações clínicas que surgirem desse investimento. Enquanto isso, cultivar hábitos que protegem o metabolismo — sono regular, alimentação equilibrada e atividade física — permanece uma estratégia prática e acessível para quem deseja resguardar a saúde cerebral ao longo das estações da vida.

















