Por Alessandro Vittorio Romano — Em um cenário em que as vias aéreas parecem mapas de estações, uma boa notícia vem surgindo como um sopro de alívio: os novos medicamentos inibidores de DPP-1, com destaque para o brensocatib, mostram capacidade de reduzir as crises e as hospitalizações relacionadas às bronchiectasie. A observação vem do professor Francesco Blasi, especialista em Doenças Respiratórias da Universidade de Milão e diretor do Departamento de Área Médica e da Sc Pneumologia e Fibrose Cística do Policlinico di Milano, em evento promovido pela indústria farmacêutica Insmed em Milão.
Blasi explicou que, graças à pesquisa, hoje sabemos identificar os endotipos inflamatórios dos pacientes com bronchiectasie. Em aproximadamente 80% dos casos predomina a inflamação neutrofílica — uma reação intensa que age como um vento que corrói a paisagem dos brônquios, causando lesões tanto nas vias aéreas quanto no parênquima pulmonar. É nessa paisagem que os inibidores de DPP-1 entram: o alvo é a dipeptidil peptidasi 1, uma enzima que, na medula óssea, ‘carrega’ o neutrófilo com enzimas pró-inflamatórias. Ao bloqueá-la, o neutrófilo mantém sua capacidade de defesa contra infecções, mas perde parte do potencial de causar inflamação destrutiva.
Os estudos clínicos com brensocatib indicaram uma redução significativa das riacutizações e uma queda nas internações hospitalares. Blasi ressaltou que, ao nível de doses mais elevadas, o medicamento também proporciona um melhoramento da função respiratoria que se mantém ao longo do tempo — um parâmetro essencial porque, como costumo dizer ao observar a respiração das cidades, respirar melhor transforma imediatamente a qualidade da vida.
O impacto das bronchiectasie sobre o cotidiano do paciente é marcado por episódios agudos que frequentemente levam a hospitalizações e ao uso repetido de antibióticos. Esse ciclo não só provoca efeitos colaterais durante o tratamento, mas também alimenta o terreno fértil da resistência bacteriana. Por isso, Blasi enfatiza a importância de uma gestão especializada: centros dedicados às bronchiectasie, com equipes multidisciplinares — médicos experientes, fisioterapeutas respiratórios e suporte microbiológico — são o solo onde o cuidado prospera.
A fisioterapia respiratória assume papel central nesse manejo. O fisioterapeuta escolhe as técnicas mais adequadas para a eliminação do catarro das vias aéreas dilatadas, ajudando o paciente a recuperar o ritmo e a clareza da respiração. Essa reeducação respiratória, assim como a escolha criteriosa da profilaxia antibiótica quando necessária, a seleção apropriada de antimicrobianos durante as riacutizações e o acompanhamento microbiológico no tempo formam uma colheita de hábitos que protege o pulmão e reduz complicações.
Em termos práticos, estamos diante de uma mudança de estação no tratamento: a introdução dos inibidores de DPP-1 não extingue a necessidade de cuidados integrados, mas oferece uma nova ferramenta para diminuir eventos graves e internações. A promessa é de menos dias em leitos hospitalares e mais fôlego na vida cotidiana dos pacientes.
Como observador atento das interações entre ambiente e bem-estar humano, vejo neste progresso um convite: cultivar centros especializados e investir na fisioterapia e no seguimento microbiológico é semear segurança respiratória. E, enquanto esperamos a ampla disponibilidade desses fármacos, manter a vigilância sobre o uso de antibióticos e fortalecer a rede de cuidado seguirá sendo essencial para proteger o pulmão, a respiração — e a qualidade da vida — daqueles que vivem com bronchiectasie.






















