Por Alessandro Vittorio Romano — A temporada de influenza dá sinais claros de recuo, como se o ciclo frio fosse lentamente ceder espaço a uma nova respiração da paisagem. Segundo o sistema di sorveglianza RespiVirNet do Istituto Superiore di Sanità, os contagi respiratórios agudos caíram pela sexta semana consecutiva: foram registradas 472 mil infecções nos últimos sete dias, contra 531 mil na semana anterior.
Como em todo outono-inverno que molda nossos hábitos e o tempo interno do corpo, os mais afetados continuam sendo os pequenos: crianças com menos de 4 anos apresentaram uma incidência de 33 casos a cada mil habitantes — quase quatro vezes maior que a média geral, que se situa em 8,6 por mil.
A tendência de queda envolve quase todas as Regiões, que já exibem níveis de intensidade baixos. Algumas, como Veneto, Provincia Autonoma di Trento, Molise e Sardegna, já podem considerar a estação praticamente encerrada. Em contrapartida, a Basilicata atravessa um período de alta intensidade. Os acessos aos pronto-socorros e as hospitalizações também registraram ligeira diminuição, embora tenha sido observado um aumento sutil entre as faixas etárias mais jovens.
Mais do que um fim, este é um momento de passagem: os vírus influenzali deixaram de ser dominantes e passaram a representar cerca de 6% das amostras analisadas pelos laboratórios da rede de vigilância. Em seu lugar, ganharam presença o vírus respiratório sincicial (RSV), o Rhinovirus e o Metapneumovirus, que mostram maiores taxas de positividade.
O infectologista Massimo Andreoni, diretor científico da SIMIT (Società italiana di malattie infettive e tropicali), explicou à Adnkronos Salute que, embora a influenza esteja em nítido declínio, a mudança de estação traz novas armadilhas para as vias respiratórias. “A influenza está agora atrás de nós — os contágios diminuíram progressivamente e prevemos que desaparecerão totalmente até o final de março”, afirma Andreoni.
Mas o adeus à gripe não significa o fim das doenças respiratórias. “O testemunho passará a outros vírus”, alerta o especialista. O protagonista das próximas semanas será o vírus respiratório sincicial (RSV), cujo pico é esperado entre março e abril. Isso significa que, mesmo com a despedida da influenza, ainda veremos numerosos casos de febre e infeções que atingem tanto as vias aéreas superiores quanto as inferiores — episódios que podem persistir até a primavera avançada.
Para quem, como eu, observa a cidade e o corpo com atenção sensível, esta transição é como a passagem entre estações no campo: as raízes do bem-estar precisam de cuidados enquanto o clima muda. Mantém-se a recomendação para vigilância, higiene respiratória e proteção das crianças pequenas, que continuam sendo as mais vulneráveis nesta fase da colheita de hábitos e microrganismos.
Em resumo: a influenza perde força, mas levantamos a guarda para o RSV — e acompanharemos, com olhos atentos, o desenrolar desse novo ciclo respiratório.






















