Por Alessandro Vittorio Romano — A curva da influenza na Itália segue seu ritmo de desaceleração, marcada pela quarta semana consecutiva de queda. Segundo o boletim RespiVirNet do Istituto Superiore di Sanità (ISS), na semana de 12 a 18 de janeiro foram notificados cerca de 720 mil casos de infecções respiratórias agudas, mais de 100 mil a menos do que na semana anterior. É como se a respiração da cidade tivesse encontrado um compasso mais calmo depois do sopro forte do pico de dezembro.
O relatório registra uma taxa geral de 12,7 infecções por 1.000 habitantes. No entanto, esse declínio não é uniforme: enquanto todas as faixas etárias apresentam redução, os crianças de 0 a 4 anos mostram inversão de tendência, com aumento de casos — a incidência nesse grupo chega a 33,05 por 1.000 habitantes. Nas demais idades, a taxa varia entre aproximadamente 11 e 17 por 1.000, caindo para 8,07 por 1.000 entre os maiores de 65 anos.
Geograficamente, a intensidade da circulação viral permanece muito alta em regiões como Campânia, Basilicata e Puglia, enquanto a Sardenha ainda registra níveis altos. Em contraste, a Província Autônoma de Trento já caiu abaixo do nível basal. Essa distribuição lembra o mapa de uma paisagem em transição: alguns vales já se acalmaram, outros trechos ainda guardam a força do vento.
Nos hospitais, os acessos ao Pronto Socorro e os internamentos por síndromes respiratórias mantêm-se estáveis, e o número de casos graves continua em declínio. É um sinal encorajador — a pressão sobre os leitos diminui, como se a colheita de hábitos mais cautelosos começasse a dar fruto.
O boletim do RespiVirNet ressalta que a incidência está em queda e que é pouco provável que retorne aos níveis do pico registrado no final de dezembro. Ainda assim, a atenção permanece necessária, sobretudo para as famílias com crianças pequenas: a subida dos casos entre os 0-4 anos pede observação calma, higiene reforçada e, quando indicado, consulta com o pediatra.
Como observador do cotidiano e amante das estações, vejo neste cenário um convite a ouvir o próprio ritmo — o tempo interno do corpo e o compasso coletivo. Proteções simples — lavagem das mãos, arejar os ambientes e respeitar sinais de doença — são práticas que funcionam como uma guarda silenciosa, preservando o bem-estar enquanto o inverno da paisagem lentamente cede lugar ao despertar dos hábitos mais leves.
Em resumo: a influenza recua no país, os números gerais melhoram, mas os casos entre as crianças de 0 a 4 anos merecem atenção. O boletim do ISS/RespiVirNet é a bússola que nos lembra de cuidar com sensibilidade — porque saúde também é ritmo, estação e cuidado compartilhado.






















