Por Alessandro Vittorio Romano — A influenza K, causada pelo ceppo mutado H3N2, continua em ampla circulação e, depois de uma ligeira queda atribuída ao “efeito Natal” e à redução das notificações, as estimativas dos especialistas indicam que a reabertura das escolas após a Befana devolverá à curva epidêmica uma subida que pode levar ao pico.
Os dados de vigilância mostram que, na semana de 22 a 28 de dezembro, a incidência registrada foi de 14,5 casos por 1.000 assistidos, contra 17,1 casos nos sete dias anteriores — uma redução temporária associada às festas e à menor atividade dos consultórios. Ainda assim, nessa janela foram estimados cerca de 820 mil novos casos, elevando o total desde o início da vigilância para aproximadamente 6,7 milhões. As faixas etárias mais afetadas continuam sendo as crianças de 0 a 4 anos, com cerca de 39 casos por 1.000 assistidos.
Especialistas do Departamento de Doenças Infecciosas do Istituto Superiore di Sanità alertam que o vírus está “no pleno de sua corrida” e que a incidência tende a se manter elevada nas próximas semanas. Em palavras que lembram o compasso das estações — um sopro que volta a agitar as folhas após um breve silêncio — é esperado que a interação entre crianças nas salas de aula reacenda a transmissão comunitária.
Do front clínico chegam relatos de consultórios e pronto-socorros: em Florença, por exemplo, há um elevado número de pessoas em casa com febre, dores musculares e cansaço marcante, acompanhados de sintomas respiratórios. Elisabetta Alti, vice-presidente da Ordem dos Médicos de Florença, lembra que não se deve subestimar o vírus com frases do tipo “é só uma gripe”. E o infectologista Matteo Bassetti reforça o cuidado: atenção para o risco de pneumonias, especialmente em grupos vulneráveis.
O ISS publicou uma série de FAQ para desfazer mitos sobre a influenza: entre as recomendações claras está que antibióticos não curam gripe ou COVID‑19 — eles agem contra bactérias, não contra vírus. O uso indiscriminado pode favorecer a resistência bacteriana, dificultando o tratamento de infecções futuras.
Além da vacina, que segue sendo a principal ferramenta preventiva, retornam atitudes simples mas eficazes — as mesmas que aprendemos nos tempos recentes: lavar e secar as mãos corretamente, manter boa higiene respiratória (tossir ou espirrar no antebraço ou em um lenço descartável), evitar contatos próximos quando sintomático e, em contextos de alto risco, considerar o uso de máscaras. São medidas que funcionam como uma cerca viva em torno da nossa saúde coletiva, nutrindo uma defesa que cresce em comunidade.
Enquanto a paisagem climática do inverno desenha-se lá fora, com suas variações suaves e repentinas, cuidemos também do nosso “tempo interno”: repouso adequado, hidratação e acompanhamento médico nas manifestações mais intensas. Para pais, cuidadores e profissionais de saúde, o momento pede vigilância e ações práticas para reduzir internações e complicações.































