Por Alessandro Vittorio Romano — A última análise da vigilância RespiVirNet, agora em formato interativo, revela que a maré das infecções respiratórias voltou a baixar: na semana de 19 a 25 de janeiro a incidência total foi de 10 casos por 1.000 assistidos, em queda em relação aos 11,3 registrados na semana anterior. Em termos absolutos, são estimados cerca de 551 mil novos casos naquela semana, elevando para aproximadamente 10,4 milhões o total desde o início da vigilância.
Como um outono que ainda guarda dias quentes, a circulação viral apresenta nuances. A redução da incidência foi observada em todas as faixas etárias, exceto nas crianças de 0 a 4 anos — onde os números se mantêm estáveis, em torno de 40 casos por 1.000 assistidos. Em termos territoriais, a intensidade está em nível de base na Ligúria e no Molise, em nível médio em Puglia, Basilicata e Campânia, e em níveis baixos nas demais regiões e províncias autônomas.
É importante lembrar que a mudança na definição de caso, de ILI para ARI (infecções respiratórias agudas), complica a comparação direta com temporadas anteriores e com as thresholds históricas — como trocamos a régua, o desenho das curvas também muda. Ainda assim, os sinais apontam para uma circulação moderada: no fluxo comunitário a taxa de positividade para influenza foi de 14,1%, enquanto no fluxo hospitalar ficou em 14,7%.
Entre os vírus detectados na comunidade, os maiores índices de positividade foram observados para o VRS (vírus respiratório sincicial), para os Rhinovirus e para os próprios vírus influenza. No ambiente hospitalar, os achados mais frequentes foram Rhinovirus, outros coronavírus distintos do Sars-CoV-2 e VRS. A coexistência — ou co-circulação — desses diferentes agentes contribui para o valor amplo da incidência de ARI.
Quanto às formas graves e complicadas, a vigilância registra um número de casos em descenso na quarta semana do ano quando comparado ao mesmo período da temporada passada. Entre as formas graves, o subtipo predominante é A(H1N1)pdm09. Vale notar que a maior parte dos casos graves e complicados envolve pessoas não vacinadas — um lembrete sereno sobre como a proteção coletiva brota também de gestos individuais.
No que tange à caracterização dos vírus, na comunidade a proporção de A(H3N2) supera a de A(H1N1)pdm09, ao passo que no fluxo hospitalar os vírus A(H1N1)pdm09 aparecem ligeiramente mais frequentes entre os subtipados. Até o momento, nenhum exame indicou a presença de influenza tipo A ‘não subtipável’ típica de circulação aviária.
As análises de sequenciamento do gene HA mostram, para os ventilados A(H3N2), predominância do clado 2a.3a.1 e, dentro dele, do subclade K. Já os A(H1N1)pdm09 agrupam-se majoritariamente no subclade D.3.1.1. São detalhes que ajudam a entender a paisagem genética desses vírus, como galhos que desenham o mapa de uma árvore em constante renovação.
Em síntese: a curva de influenza dá sinais de recessão, com 551 mil casos estimados em uma semana e menor pressão de gravidade em comparação ao ano anterior, embora a circulação simultânea de vários vírus e a predominância de casos graves entre não vacinados mantenham a necessidade de vigilância ativa e de escolhas preventivas. Como observador das estações do corpo e da cidade, recomendo atenção às medidas de proteção respiratória e à vacinação — pequenos cuidados que funcionam como raízes firmes para o bem-estar coletivo.






















