Em um cenário onde a saúde conversa com o cotidiano, Francesco De Lorenzo, presidente da Federação Italiana das Associações de Voluntariado em Oncologia (Favo), lançou uma proposta que mistura cuidado humano e sustentabilidade do sistema: solicitar a inclusão dos alimentos especiais nos Livelli Essenziali di Assistenza (LEA), para que possam ser fornecidos pelo Serviço Nacional de Saúde (Ssn).
A intervenção de De Lorenzo aconteceu no Senado da República, durante um encontro alusivo ao Dia Mundial contra o Câncer, dedicado ao tema da malnutrição em pacientes oncológicos. A mensagem foi clara e terna: garantir o acesso a esses produtos não é apenas um gesto de dignidade para quem enfrenta tratamentos, mas também uma medida de responsabilidade coletiva.
Segundo o presidente da Favo, estudos e experiências clínicas indicam que, quando os alimentos especiais são administrados corretamente e sob prescrição médica aos pacientes que realmente necessitam, há uma economia de 10% na despesa do sistema de saúde. Essa economia reflete menos complicações, menos hospitalizações e um percurso de tratamento mais estável — como ajustar a respiração do corpo ao ritmo certo no momento da tempestade.
De Lorenzo sublinhou a urgência de avaliar o estado nutricional já no momento do diagnóstico. A malnutrição acomete aproximadamente metade dos pacientes oncológicos, comprometendo a tolerância aos tratamentos e a qualidade de vida. “Se existe desnutrição, é preciso intervir com medidas adequadas para garantir o tratamento correto”, afirmou, lembrando que o cuidado nutricional é parte da trama terapêutica.
Para transformar essa proposta em realidade, a Favo iniciará uma ação concreta: reunirá a comunidade oncológica e o setor industrial para preparar e apresentar às instituições competentes toda a documentação necessária ao reconhecimento dos alimentos especiais nos LEA. “É um percurso que acreditamos poder conduzir ao sucesso”, disse De Lorenzo, com a serenidade de quem planta uma árvore sabendo que os frutos virão para muitos.
Como observador atento dos fluxos que movem a saúde pública, vejo essa iniciativa como uma colheita de hábitos que pode renovar a paisagem do cuidado: integrar a nutrição ao escopo do que o sistema garante é cuidar do tempo interno do corpo e da sustentabilidade do sistema — uma dupla colheita, para pacientes e para a comunidade.
Em resumo, a proposta combina compaixão e eficiência: assegurar o fornecimento dos alimentos especiais via LEA pode melhorar o percurso terapêutico dos pacientes oncológicos e gerar uma redução significativa dos custos para o SSN, aproximando políticas públicas e cuidados individuais num mesmo compasso.






















