Sou Alessandro Vittorio Romano e, como quem percorre percursos costeiros atentos à respiração da cidade, acompanho histórias que ligam corpo, paisagem e cura. Esta é a narrativa de Ida, que transforma um sinal discreto em uma colheita de coragem.
Em 2015, após um dia em alto mar entre rajadas de vento, Ida percebeu um pequeno nódulo na virilha. Era um sinal tímido, como uma folha que se agita antes da tempestade, e os sintomas permaneceram silenciosos por meses. Só quando as dificuldades para movimentar a perna surgiram, a vida exigiu atenção imediata: a corrida ao hospital revelou o diagnóstico de linfoma folicular, um tipo de tumor do sangue que pede escuta cuidadosa e tratamentos específicos.
De início, Ida iniciou o percurso terapêutico em sua cidade natal, Reggio Calabria, começando pela radioterapia. Mais adiante, sua história cruza com uma das fronteiras mais promissoras da oncologia: a terapia Car‑T. Essa forma de imunoterapia celular modifica as células T do próprio paciente para que reconheçam e ataquem as células cancerígenas — uma mudança de estação na paisagem imunológica do corpo, em que raízes antigas ganham novos brotos.
A trajetória de Ida faz parte do projeto fotográfico “Da qui in avanti. Sei storie, un viaggio che ricomincia”, uma iniciativa de Gilead‑Kite realizada com o patrocínio da AIL (Associação Italiana contra leucemias, linfomas e mieloma) e da associação La Lampada di Aladino Ets. Seis histórias foram reunidas para contar luta, pausa e renascimento — como esta, onde o corpo encontra ferramentas e a comunidade encontra palavra e imagem.
Contar a experiência de Ida não é apenas mapear etapas clínicas — é perceber a textura das emoções que acompanham o tratamento, o que chamo de “tempo interno do corpo”. Há o momento do susto, a sequência de exames, a adesão ao tratamento e, por fim, a esperança plantada pela terapia Car‑T. É um lembrete de que a medicina contemporânea oferece não só intervenção, mas também possibilidade de recomeço.
Como observador, vejo nas histórias como a de Ida a respiração lenta de uma cidade que aprende a cuidar: há redes de apoio — instituições, associações, equipes médicas — e há também o silêncio fértil da intimidade que permite reconstruir o dia a dia, passo a passo.
O registro fotográfico que acompanha essas jornadas traz rostos, gestos e quartos de hospital transformados em paisagens de um novo viver. Essas imagens são ponte entre o antes e o depois: mostram quem enfrentou o linfoma folicular, quem recebeu radioterapia e quem, como Ida, chegou à terapia Car‑T buscando que suas próprias defesas voltassem a reconhecer a vida.
Se há algo a colher dessa história, é a sensação de que mesmo no inverno da mente há sementes que esperam por calor: a ciência que modifica células T, a solidariedade de associações como a AIL e a atenção clínica são como um sol que reconstrói a paisagem. E, ao final, resta a promessa de que o recomeço é possível — uma embarcação pronta para zarpar, mesmo após tempestades.






















