Em um passo que mistura a precisão tecnológica com o cuidado humano, a Itália propõe usar a inteligência artificial para selecionar quais exames de mamografia em programas de screening do câncer de mama devem receber uma dupla leitura por radiologistas e quais terão apenas uma leitura. É a primeira recomendação desse tipo na Europa, pensada para manter a qualidade diagnóstica enquanto se otimiza a alocação de recursos humanos.
As novas linee guida italiane para o uso da IA no rastreamento e no diagnóstico do tumor de mama foram anunciadas pelo Gisma (Gruppo italiano screening mammografico). O documento foi elaborado com a participação de outras nove sociedades científicas, e contou com suporte metodológico do Cergas e do centro Dondena da Università Bocconi. A coordenação ficou a cargo do Osservatorio nazionale screening, com sede operacional no Istituto per lo studio, la prevenzione e la rete oncologica di Firenze.
Até agora, as recomendações europeias indicavam que a IA atuasse como ferramenta de apoio, mantendo o protocolo tradicional que prevê a leitura dupla da mamografia por dois radiologistas. A novidade italiana propõe que, numa primeira triagem, algoritmos validos identifiquem exames de risco ou de dúvida que devam ser confirmados por duas análises humanas; por outro lado, as imagens consideradas de baixa probabilidade de anomalia poderiam seguir com uma única leitura, preservando eficácia e tempo dos especialistas.
Essa abordagem busca equilibrar duas respirações: a da tecnologia, que filtra e organiza, e a do médico, que interpreta e decide. O objetivo declarado é garantir a qualidade dos exames, reduzir atrasos e aliviar a carga de trabalho dos serviços de radiologia, sem comprometer a segurança das pacientes. Trata-se de uma otimização pensada nos «ciclos» do cuidado, como quem poda ramos para favorecer uma colheita mais saudável na próxima estação.
Do ponto de vista prático, a introdução de sistemas automáticos exigirá protocolos claros de validação, critérios de desempenho e formação contínua dos profissionais que atuarão em conjunto com as ferramentas. A construção dessas diretrizes envolveu considerações técnicas, éticas e organizativas, sempre com o objetivo de proteger a confiança pública no rastreamento populacional.
Para quem vive a Itália como um território de bem-estar, essa mudança é como ajustar a janela para aproveitar melhor a luz: a tecnologia não substitui o olhar humano, mas ajuda a direcioná-lo onde faz mais falta. A implementação prática e os primeiros resultados serão observados com atenção pelas comunidades científicas europeias, que até então recomendavam apenas o uso adjunto da IA.
Em suma, a Itália avança para um sistema de screening mais seletivo e eficiente, onde a inteligência artificial funciona como a primeira voz de seleção, mantendo reservada à dupla leitura humana a tarefa de confirmar os casos mais complexos. É uma mudança que nasce da urgência de conciliar qualidade e sustentabilidade dos serviços, lembrando que, como na natureza, adaptar-se é também preservar o essencial.






















