Em um encontro que combina ciência, indústria e sensibilidade clínica, um novo capítulo se abre em Modena para o estudo da narcolepsia com o auxílio da inteligência artificial. Foi formalizada uma colaboração entre o Centro de Pesquisa Interdepartamental Airi do Tecnopolo di Modena e a farmacêutica japonesa Takeda, com o objetivo de desenvolver métodos diagnósticos e analíticos inovadores para um distúrbio que altera o tempo interno do corpo e a respiração cotidiana dos pacientes.
Hoje, uma delegação nipônica visitou a Universidade de Modena e Reggio Emilia (Unimore) para dar início a um projeto multidisciplinar que une pesquisa clínica, indústria e academia. O foco principal é a narcolepsia do Tipo 1, com atenção especial à cataplexia, um sintoma central que muitas vezes exige olhares clínicos refinados e instrumentos analíticos mais sensíveis.
Entre as abordagens previstas está a utilização de técnicas avançadas de análise de dados de vídeo, que podem capturar sinais sutis — gestos, posturas e microexpressões — e traduzi-los em pistas úteis para o diagnóstico. É como observar uma paisagem em mudança para entender as estações internas de quem convive com a doença: a tecnologia vê o que o olho às vezes perde.
“É um reconhecimento importante da qualidade e da visibilidade internacional da pesquisa em AI da Unimore”, afirmou Simone Calderara, diretor do Centro Airi. Calderara ressalta que o projeto pretende oferecer contribuições significativas tanto para o tecido produtivo local quanto para a sociedade, alimentando uma colheita de conhecimento que pode melhorar a vida cotidiana de pacientes e cuidadores.
A cerimônia de abertura foi conduzida pela reitora Rita Cucchiara e contou com a participação de pesquisadores, clínicos e representantes institucionais. A presença da Takeda sinaliza uma ponte entre pesquisa acadêmica e desenvolvimento farmacêutico, necessária para transformar dados em terapias e em práticas clínicas mais precisas.
Enquanto a cidade de Modena mantém seu ritmo — entre mercados, praças e o sussurro das estações — esse projeto representa uma respiração nova na pesquisa sobre sono. A proposta combina a delicadeza da observação clínica com a robustez analítica da inteligência artificial, buscando traduzir os sinais do corpo em respostas práticas e humanizadas.
Para quem acompanha a evolução das tecnologias aplicadas à saúde, a iniciativa em Modena é um lembrete de que a inovação mais frutífera nasce quando diferentes saberes se encontram: a ciência que mapeia, a indústria que investe e a comunidade que espera soluções. A expectativa é que, ao mapear melhor a narcolepsia e suas manifestações — incluindo a cataplexia —, possamos construir diagnósticos mais rápidos, tratamentos mais adequados e uma convivência mais amena com o distúrbio.
Como observador atento das paisagens humanas e científicas, vejo nessa parceria uma pequena revolução diária: tecnologia que aprende a escutar o corpo e a traduzir sua linguagem, oferecendo ao paciente não apenas um rótulo, mas caminhos para dias com mais ritmo e menos rupturas.






















