Por Alessandro Vittorio Romano — Em um tempo em que procuramos alinhar o ritmo do corpo ao compasso das estações, surge uma notícia que respira alívio para pacientes e clínicos: hoje há uma alternativa terapêutica que pode transformar a gestão do hipoparatireoidismo crônico. O médico Andrea Palermo, responsável pelo Grupo de Patologias osteo-metabólicas e da tireoide da Fondazione Policlinico universitario Campus Bio-Medico de Roma, destacou em Torino, durante a apresentação do livro nascido do percurso de medicina narrativa “Raccontare l’invisibile” (Scuola Holden, com contribuição não condicionante de Ascendis), os ganhos potenciais dessa nova abordagem.
A novidade clínica é o uso do palopegteriparatide, uma formulação que permite disponibilizar ao paciente o paratormônio nativo com uma meia-vida prolongada. Em termos práticos, isso significa uma terapia que age mais perto da respiração natural do organismo, em vez de apenas cobrir sintomas: estabilização dos níveis de cálcio e de fósforo, redução provável de complicações renais — como nefrolitíase (cálculos renais), nefrocalcinose (acúmulo de cálcio no parênquima renal) — e, por consequência, menor risco de insuficiência renal. Além disso, há expectativa de melhora na qualidade de vida e, num horizonte mais amplo, impacto favorável na história natural da doença que pode, possivelmente, refletir em maior longevidade.
Até então, como Palermo recordou, a prática clínica baseava-se na chamada terapia convencional — essências simples: sais de cálcio e vitamina D. Essa abordagem, que eu gosto de pensar como um curativo que protege temporariamente a ferida sem restaurar a pele, foi útil, mas insuficiente. Não substitui a ação hormonal perdida: o paratormônio, ao qual os pacientes com hipoparatireoidismo são privados. Assim, enquanto a terapia convencional consegue atenuar sintomas, ela não evita a progressão de determinadas complicações crônicas, sobretudo renais.
Como observador das estações do corpo e da cidade, vejo nessa mudança terapêutica um despertar: a possibilidade de sincronizar melhor o cuidado com o tempo interno dos pacientes. A introdução do palopegteriparatide não é apenas uma troca de fármacos; é uma nova forma de cultivar hábitos de tratamento que respeitem mais a fisiologia — como plantar uma árvore e cuidar de suas raízes, em vez de apenas aparar seus galhos.
Ainda são necessários seguimentos longitudinais e vigilância clínica atenta, mas a mensagem de Palermo é clara: a medicina avança quando conseguimos oferecer aos pacientes intervenções que trocam paliativos por restauro funcional. Para quem convive com o hipoparatireoidismo crônico, isso pode significar menos pedras no caminho — literalmente — e mais dias em que o corpo respira com calma.






















