Por Alessandro Vittorio Romano — Em resposta a questionamento na Câmara, o subsecretário da Saúde Marcello Gemmato informou que, a partir de janeiro, o princípio ativo GS-441524 destinado ao tratamento da Peritonite Infecciosa Felina (PIF) voltou a estar disponível junto a fornecedores nacionais. Isso permite que as farmácias façam o pedido para a preparação de formulações magistrais, desde que exista prescrição veterinária por receita eletrônica.
A notícia surge após diversas sinalizações sobre a dificuldade de obtenção do princípio ativo, apontadas por profissionais e tutores. A PIF é uma doença viral de elevada prevalência e alta mortalidade, causada por um alfa-coronavírus que incide sobretudo em ambientes com grande densidade de gatos. Na Itália, onde convivemos com mais de 10 milhões de felinos, a doença tem historicamente gerado apreensão entre cientistas, veterinários e famílias.
Gemmato ressaltou que a falta de tratamentos veterinários específicos e autorizados contribuiu para a preocupação tanto no âmbito nacional quanto europeu. Com a reaparição do GS-441524 no mercado nacional, veterinários autorizados podem agora solicitar o ingrediente e preparar medicamentos sob medida nas farmácias, respeitando as normas legais e a exigência da receita eletrônica veterinária.
Para quem cuida de um gato, a notícia é como um sopro de primavera após um inverno de incertezas: abre-se a possibilidade prática de acesso a terapias que, até então, estavam fora do alcance formal. Ainda assim, é importante lembrar que a administração deve ser sempre guiada por um profissional veterinário, que avalie caso a caso, prescreva corretamente e acompanhe a evolução do tratamento.
Do ponto de vista comunitário, a disponibilidade do composto também acende a atenção para as rotas de produção, controle de qualidade e fiscalização. A preparação magistral exige que a farmacêutica cumpra padrões rigorosos para garantir eficácia e segurança. É uma espécie de colheita técnica, onde cada etapa — do ingrediente à seringa — precisa ser cuidada com a mesma delicadeza com que se poda uma videira para garantir boa safra.
Como observador dos ritmos que ligam ambiente, saúde e bem-estar, vejo nesta notícia um lembrete sobre a interdependência entre nossas práticas sociais e a saúde animal. A respiração da cidade — com seus gatos que partilham lares, prédios e praças — influencia diretamente o risco e o manejo de doenças como a PIF. Agora, com o GS-441524 novamente disponível, abre-se um caminho mais concreto para que veterinários e tutores atuem juntos em prol do bem-estar felino.
Quem tem um gato ou acompanha o universo veterinário deve conversar com seu médico veterinário de confiança para entender as possibilidades terapêuticas e procedimentos necessários. A receita eletrônica seguirá sendo o portal formal que liga a avaliação clínica à preparação segura nas farmácias.
Em poucas palavras: a disponibilidade renovada do GS-441524 representa um passo significativo na luta contra a Peritonite Infecciosa Felina na Itália — um gesto prático que, como uma boa xícara de café ao amanhecer, traz novo alento para quem cuida e para quem ama.





















