Por Alessandro Vittorio Romano — A curva da gripe na Itália segue em declínio e a estação respiratória começa a fechar seu ciclo. O boletim da vigilância RespiVirnet do Instituto Superior de Saúde (ISS) indica que, na maior parte das regiões, os casos já estão abaixo do limiar considerado basal, e onde ainda há circulação a intensidade é classificada como baixa.
Entre 16 e 22 de fevereiro, o sistema de vigilância contabilizou pouco mais de 400 mil episódios de infecções respiratórias agudas — um guarda-chuva amplo que compreende quadros com pelo menos um sintoma como tosse, dor de garganta, congestão ou corrimento nasal. Deste conjunto, a porção atribuída especificamente à gripe vem recuando: cerca de 5% das amostras analisadas pelos laboratórios da rede foram positivas para vírus influenza.
Outros agentes respiratórios têm sido mais frequentes neste fim de estação, com destaque para o vírus sincicial respiratório (VSR), os rinovírus e os coronavírus do resfriado. Esses microrganismos compõem a textura variada dos dias frios que vão se afastando, como se a paisagem respiratória fizesse sua própria transição para uma primavera mais leve.
Em termos de distribuição por idade, as crianças menores de 4 anos permanecem como o grupo mais afetado: nessa faixa foram registrados cerca de 31 casos por mil, um índice aproximadamente quatro vezes maior que o observado no restante da população, que apresentou 7,61 casos por mil. Esses números lembram que, mesmo quando a estação desacelera, as raízes do bem-estar infantil requerem atenção cuidadosa — sobretudo porque os pequenos vivem um tempo biológico diferente, mais rápido e sensível às variações do ar e das convivências.
Do ponto de vista prático, a descida da curva significa menos pressão nas consultas e nos serviços de saúde, e uma respiração coletiva que se torna mais serena. Ainda assim, como observador que se move entre paisagens e lembranças cotidianas, sempre recomendo cautela: manter hábitos simples de higiene respiratória, cuidar dos ambientes internos com ventilação e evitar exposições desnecessárias para pessoas vulneráveis são gestos que colhem frutos para o pulso da comunidade.
O boletim do ISS serve como mapa para essa travessia: ele mostra que a estação da gripe está a ponto de se encerrar, mas que outros vírus menos intensos seguem circulando. A transição entre estações é também um convite à atenção — não como alarme, mas como curadoria do próprio bem-estar. Aos que vivem com crianças, e aos profissionais que acompanham a saúde coletiva, fica o lembrete de que a colheita de hábitos adotada agora facilita o florescer de meses mais tranquilos.
Em síntese: a temporada gripal se encaminha para o fim, a circulação viral diminui e o cenário é de baixa intensidade na maioria das regiões. Restam, entretanto, agentes respiratórios ativos e uma população infantil mais exposta, exigindo sempre cuidados sensíveis e contínuos — como aquele gesto de abrir a janela para deixar entrar o ar novo, depois do inverno da cidade.






















