ROMA, 30 de janeiro de 2026 — A curva da gripe na Itália mostra sinais de arrefecimento, mas o país ainda sentiu o sopro forte da estação: cerca de 620 mil casos de infeções respiratórias agudas foram contabilizados na última semana, valor superior a meia milhão que representa uma redução de mais de 100 mil casos em relação à semana anterior. Desde o início do ano, o balanço chega a 9,8 milhões de casos, segundo o boletim mais recente da vigilância RespiVirNet do Istituto Superiore di Sanità.
Em termos de incidência, a média nacional voltou para 11,3 casos a cada 1.000 habitantes, um nível que lembra o final de novembro. A paisagem epidêmica desenha, assim, uma retomada lenta — como se a cidade tomasse fôlego após um inverno mais intenso —, mas com nuances importantes por faixa etária e por território.
Os contágios recuam em todas as faixas etárias, com uma exceção sensível: os menores de 4 anos. Depois de uma queda acentuada durante as férias de fim de ano, essa faixa etária registra aumento pela segunda semana seguida, passando de 33,3 para 40,2 casos por 1.000. É como se o tempo interno do corpo das famílias recomeçasse um ciclo de encontros e trocas que favorece a circulação viral entre os mais pequenos.
Geograficamente, quase todas as regiões apresentam hoje uma intensidade baixa da circulação viral. Duas exceções persistem: Basilicata e Campania, onde a taxa ultrapassa os 20 casos por 1.000 habitantes, mantendo essas regiões numa fase ainda muito intensa da temporada. Para quem observa o mapa como uma paisagem, são manchas que pedem atenção localizada, como árvores que ainda seguram folhas no fim do inverno.
Boa notícia para os serviços de emergência: os acessos ao pronto-socorro caíram para cerca de 17 mil, contra 20 mil da semana anterior. Também diminuíram os casos graves de infeções respiratórias que necessitam de internamento. Esses números sugerem uma desaceleração da pressão sobre hospitais, uma respiração mais tranquila na retaguarda do sistema de saúde.
A vigilância do RespiVirNet confirma, portanto, um cenário de desaceleração geral, embora fragmentado — uma colheita de hábitos e exposições que varia conforme a idade e o território. Para os pais, profissionais de saúde e gestores regionais, a recomendação permanece serena: manter cuidados básicos de higiene, atenção aos sinais de agravamento e vacinação onde indicada, lembrando que o bem-estar coletivo se constrói nos gestos cotidianos, como a respiração equilibrada de uma cidade em transformação.
Reportagem por Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia. Dados: Istituto Superiore di Sanità, vigilância RespiVirNet.






















